Ministério da Agricultura investiga nova espécie exótica encontrada em Santos ( Yan Lima) O percevejo-de-pintas-amarelas (Erthesina fullo), considerado uma praga na China e que tem se espalhado pelas cidades do litoral de São Paulo, libera um cheiro muito desagradável quando se sente ameaçado por qualquer animal, similar ao da maria-fedida, segundo o professor e biólogo Yan Lima e Silva. Isto ocorre porque os percevejos possuem glândulas que, ao serem abertas, provocam uma reação que faz com que o líquido produzido evapore rapidamente, explica o especialista. “Ele libera esse cheiro a qualquer animal que o faça se sentir ameaçado, desde a outros insetos e aracnídeos a mamíferos maiores", informa. Erthesina fullo O pesquisador Ricardo Brugnera, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul explica que caso a espécie se disperse para outras áreas, há o risco de ela se tornar invasora, causando problemas ambientais e econômicos em nível nacional e até mesmo na América do Sul. O percevejo não apresenta riscos à saúde humana e, até o momento, não há informações de prejuízos significativos causados por ele no Brasil. Porém, se sua distribuição continuar a se expandir, há o risco de causar danos consideráveis. De acordo com o observatório iNaturalist, o inseto foi registrado 22 vezes na Baixada Santista, com maior frequência em Santos. Guarujá e São Vicente também apresentaram ocorrências do animal. A última notificação no sistema ocorreu no Parque São Vicente, em outubro de 2024. Não se sabe ao certo como o inseto chegou ao Brasil. Uma das hipóteses, portanto, é que tenha sido por meio de navios, especialmente em contêineres, um processo já registrado com outras espécies de percevejos invasores em vários países, comenta Brugnera. Primeira aparição O primeiro registro do inseto na Baixada Santista aconteceu em 2020, nas imediações do Porto de Santos. O biólogo e professor Yan Lima e Silva avistou o percevejo em uma árvore e, a princípio, pensou ser uma espécie nativa, até ser alertado por cientistas, que começaram a investigar o caso. “Caso alguém encontre o percevejo, sugiro tirar fotos e publicar no iNaturalist, para aumentar a base de dados que temos atualmente”, sugeriu Yan. A Tribuna entrou em contato com o Ministério da Agricultura para um posicionamento sobre ele estar se alastrando nas cidades do litoral de São Paulo, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.