[[legacy_image_128273]] Uma nova variante do coronavírus tem preocupado infectologistas da Baixada Santista. Especialistas dizem que, apesar de ainda ser uma descoberta recente, é possível que cepa B.1.1.529 — também denominada Ômicron —, registrada pela primeira vez na África do Sul, ponha em risco a eficácia das vacinas existentes e seja ainda mais transmissível. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Segundo a médica infectologista Elisabeth Dotti, “a transmissibilidade (dessa cepa) é muito rápida. O que a gente não sabe ainda é se ela é mais perigosa ou não. Porém, o fato é que ela, sendo mais transmissível, se torna mais perigosa, pois mais pessoas serão afetadas. Então, a gente já começa a ficar com medo, pensando no que virá para cá após essa descoberta”. O médico infectologista Ricardo Hayden explica que, com base nas informações disponíveis, a cepa soma cerca de 50 mutações. Essas mudanças do vírus fazem parte da seleção natural, para conseguir se adaptar ao ambiente. “Eles (vírus) mudam sob pressão. Isso acontece com bactérias também, quando se usa um antibiótico e surge uma cepa de bactérias resistentes. É um mecanismo da natureza, que promove um ajuste no material genético.” Ele também diz que, do ponto de vista prático, já se analisam medidas de prevenção no mundo, como evitar voos provenientes de países em que pessoas posam estar infectadas por essa nova cepa, para que o vírus não passe de uma nação a outra. Hayden também salienta que, independentemente de cepas, é necessário que as pessoas se vacinem, pois isso irá mudar a característica da evolução da epidemia. “Conseguimos reduzir os números de óbitos e de infecções por dia, na medida em que se começou a vacinar em massa. Então, é bem possível que, em alguns meses, a gente já tenha uma vacina desenvolvida contra essa eventual variante de preocupação”, considera. Quem também se preocupa com a nova descoberta é o médico infectologista Evaldo Stanislau. Porém, também ressalta que ainda é cedo para saber como a cepa vai se comportar no ambiente. “Essa é uma variante com potencial de disseminação rápida. Ela tem um número enorme de mutações, que podem ser desafiadoras, pois podem interferir tanto no diagnóstico quanto na eficiência das terapias com anticorpos monoclonais e a na eficácia das vacinas. O que a gente sabe é que ela tem todo potencial para ser uma variante extremamente preocupante. Se isso vai se configurar na prática como uma realidade ou não, ainda não sabemos.” Saber se a nova variante também colocará a eficácia das vacinas contra covid-19 em jogo é outra preocupação dos especialistas. “Ela é uma variante que pode colocar em risco a proteção conferida pela vacina. Nós temos que aguardar os dados, mas por outro lado, a tecnologia de RNA mensageiro permite que essa vacina seja ajustada para combater essa variante”, diz Stanislau.