[[legacy_image_156675]] A possibilidade de o Governo Federal rebaixar o status da covid-19, de pandemia para endemia, é uma atitude precipitada e temerosa, de acordo com infectologistas ouvidos por A Tribuna. O presidente Jair Bolsonaro disse na quinta-feira (3) que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, estuda a reclassificação da doença “em virtude da melhora do cenário epidemiológico”. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em nota, o Ministério da Saúde confirmou que “avalia a medida, em conjunto com outros ministérios e órgãos competentes, levando em conta o comportamento do vírus no País”. Desde março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica o surto de coronavírus como pandemia, que é a disseminação mundial de uma nova doença, posição mantida pelo órgão. O Governo brasileiro, porém, quer usar a queda no número de mortes e de contaminados no País, verificados desde o mês passado, e reclassificar a covid-19 como endemia. O termo é usado nos casos de doenças recorrentes, frequentes em uma determinada região, mas para as quais há uma resposta efetiva à população pela rede de saúde. Para o infectologista Evaldo Stanislau, a mudança de status da covid-19 não se justifica. “Apesar da melhora do cenário, temos um número grande de mortes e de casos no Brasil, que é heterogêneo. No momento, temos muita imunidade da covid, por causa da vacina e porque muita gente pegou covid. O tempo dessa imunidade ainda não é certo, provavelmente alguns meses. Mas, a partir do momento em que a imunidade cair, ficaremos mais suscetíveis. O vírus continua circulando em quantidade menor, mas circula e pode aumentar”, alerta. Também chamando a atenção para os números da pandemia no Brasil, o infectologista Marcos Caseiro classificou como “idiotice” a postura do Governo Federal. “Vamos normalizar 500 mortes por dia? Não estamos num momento endêmico em hipótese alguma, a mortalidade ainda é alta. Epidemiologicamente, é equivocado. Não tem dados epidemiológicos de que saímos de pandemia para endemia. O Governo está doido. Acho muito temeroso (mudar de status), apesar dos números caindo”. Nesse debate, Stanislau apontou outro problema, do ponto de vista legal. “A pandemia permite acesso das pessoas a vacinas e medicamentos que ainda têm registro emergencial, provisório, e, se a covid for rebaixada a endemia, essas vacinas e esses medicamentos ficam descobertos”. Segundo o infectologista, a “covid não vai acabar num passe de mágica, porque muita gente no mundo ainda não tomou a vacina”. Por isso, ele aconselha que as pessoas continuem ouvindo a autoridade sanitária e a Ciência, seja para tomar uma dose de reforço ou uma vacina diferente. Flexibilização de máscaras Os infectologistas concordaram com a proposta do Governo do Estado, de flexibilização do uso de máscara em locais abertos, que deve ser anunciada na próxima semana. [[legacy_image_156676]] “Eu acho, que independentemente do decreto do governador (João Doria, PSDB), as pessoas já estão fazendo por conta própria, poucas estão usando máscara em ambientes abertos. Em ambiente externo, eu sou favorável (à flexibilização), mas, em ambientes fechados temos que continuar usando máscara”, diz Caseiro. Evaldo Stanislau concorda que a máscara pode ser abolida em ambientes abertos, desde que não haja aglomeração. “Se você está num show, num desfile de escola de samba ou numa arquibancada, mesmo em ambiente aberto, pela proximidade com outras pessoas, recomendo o uso da máscara, porque a transmissão do vírus é por via aérea.” Vacinação Apesar dos índices de vacinação na Baixada Santista serem altos, muita gente ainda não tomou a segunda dose ou a dose de reforço na região. Em busca dos faltosos ou atrasados, as prefeituras se desdobram com campanhas informativas, busca ativa e outras ferramentas para sensibilizar a população da importância de completar o ciclo vacinal contra a covid-19. Em Santos, a Prefeitura informou que 36.942 pessoas ainda não tomaram a segunda dose, enquanto 111.655 não receberam a dose de reforço. Além da busca ativa, a administração usa canais oficiais e a imprensa para mostrar a importância da vacinação à população. Em Cubatão, até quinta-feira (3), a prefeitura contabilizava 7.967 faltosos para a segunda dose e 30.222 para a dose adicional. A administração também faz a busca ativa e mantém 14 unidades de saúde e o Centro Esportivo Pita como opções de vacinação de segunda a sexta. Aos sábados, os munícipes também podem se vacinar no Pita, na unidade de saúde da Vila Nova ou nos postos itinerantes. Em Praia Grande, segundo a prefeitura, 80% da população tem o esquema vacinal completo e cerca de 3,7 mil pessoas estão com a segunda dose em atraso. A administração realiza a busca ativa a partir das Unidades de Saúde da Família e dos seus agentes comunitários de saúde.