Um dos principais motores da economia do Brasil, a indústria contribui para a geração de empregos na Baixada Santista. “Apesar dos importantes desafios enfrentados pela indústria, percebe-se, em nossa região, uma recuperação dos empregos nos últimos 10 anos e já alcançamos a quantidade registrada no ano de 2015”, afirma o diretor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP) na Baixada Santista, Daniel Divino Rodrigues da Silva. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nos últimos 12 meses, a estimativa, segundo Rodrigues, é que, em média, tenham sido criados 154 postos de trabalho por mês, resultado das mais de 4.600 movimentações mensais de desligamentos e admissões entre março de 2024 e fevereiro deste ano. “De acordo com os dados do nosso Núcleo de Inteligência de Mercado, disponibilizados em nosso Mapa do Emprego Industrial, a Baixada Santista possui um estoque de 53.227 empregos formais no segmento industrial e 1.281 estabelecimentos ativos contratantes de, pelo menos, 5 colaboradores. Do total de estabelecimentos industriais, não só na Baixada Santista, mas em todo o Estado de São Paulo, mais de 90% são microempresas ou empresas de pequeno porte”, revela. Segmentos e torcida A Baixada Santista conta com o Polo Industrial de Cubatão, referência mundial no segmento indústria de base e que representa mais de 42% do mercado de trabalho formal da cidade, com um total de 11.548 empregos. “A gente sabe da importância, até porque a indústria emprega não só os trabalhadores de Cubatão, mas de toda a região. Torcemos por essa recuperação, por políticas nacionais que ajudem a revitalizar o nosso Polo Industrial de Cubatão”, comenta o prefeito de Cubatão, César Nascimento (PSD). O diretor titular do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo - Cubatão (Ciesp), Américo Ferreira Neto afirma que o Polo de Cubatão está preparado para o futuro, com inovação, sustentabilidade e respeito à comunidade. “Temos que seguir sendo competitivos e estamos prontos pra isso. Com olhar na formação de uma mão de obra cada vez mais qualificada, na transição da matriz e energética e em pilares como inovação e diversidade”, comenta. O diretor do Senai-SP na Baixada Santista, Daniel Divino Rodrigues da Silva, revela os seis setores que concentram mais de 70% dos empregos industriais na região. “Estudos do Senai-SP e apresentados na última reunião do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (Condesb), realizada no mês passado, indicam que os seis setores responsáveis por isso são os seguintes: construção de edifícios, serviços especializados para construção, coleta e tratamento de resíduos, manutenção de máquinas e equipamentos, obras de infraestrutura e alimentos, todos com trajetória de expansão, desde 2021”, lista. Competitividade e sustentabilidade são palavras-chaves O diretor do Senai-SP na Baixada Santista, Daniel Divino Rodrigues da Silva, afirma que é preciso que se estabeleça um cenário propício para garantir a competitividade e sustentabilidade da indústria, impulsionando a geração de novos negócios. “A indústria tem concorrência em nível global e torna-se muito importante um ambiente que viabilize sua operação. O custo da energia, por exemplo, é um dos desafios enfrentados pelas indústrias na região, que buscam soluções mais econômicas e sustentáveis”, argumenta. Rodrigues acrescenta que a geração de empregos está alicerçada no crescimento e no sucesso das empresas de todos os segmentos. “Existe uma grande fábrica de oportunidades para instalação da indústria de transformação próxima do maior Polo Industrial da América Latina e do maior Porto do Hemisfério Sul, consolidando diferenciais competitivos importantes”, analisa. Função O diretor do Senai-SP na Baixada acrescenta que a entidade, como Escola da Indústria, tem se posicionado como um amplo provedor de soluções para garantir a competitividade, atuando nos pilares da Educação Profissional, da Tecnologia e Inovação e do Empreendedorismo Industrial. “Em um ambiente extremamente competitivo e com ciclos tecnológicos cada vez mais curtos, precisamos aprimorar constantemente nossa velocidade de percepção e adaptação, otimizando a alocação dos nossos recursos e oferecendo soluções na quantidade e na qualidade que a indústria precisa”, afirma. Para isso, além das conexões com os setores público e privado, o Senai utiliza ferramentas de prospecção e gestão baseada em dados nacionais e internacionais, “Elas nos permitem avaliar os movimentos tecnológicos, ocupacionais e educacionais e decidir pelas melhores soluções para nossa região”, finaliza. Estado de SP lidera produção no Brasil A indústria de transformação segue sendo um pilar importante da economia de São Paulo, embora sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) estadual tenha diminuído ao longo do tempo, aponta o economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Igor Rocha. “Atualmente, o setor industrial representa cerca de 16% do PIB paulista, abaixo dos níveis superiores a 30% registrados na década de 1980. Apesar da queda relativa, São Paulo ainda lidera a produção industrial no Brasil, sendo responsável por cerca de 31% do valor adicionado da indústria de transformação nacional”, afirma. Rocha lembra que o perfil da indústria paulista se sofisticou nas últimas décadas, com maior presença de setores intensivos em tecnologia, como o aeroespacial, farmacêutico, automobilístico e de máquinas e equipamentos. “Além disso, houve um movimento de interiorização e descentralização da produção industrial, com o fortalecimento de polos em cidades como Campinas, São José dos Campos e Sorocaba, bem como na Baixada Santista, que se destaca por sua indústria de base, setor petroquímico e importância logística ligada ao Porto de Santos”, comenta. Atualmente, a indústria paulista enfrenta desafios como a concorrência externa, o chamado Custo Brasil e a necessidade de adaptação às agendas da sustentabilidade e inovação tecnológica, segundo o economista-chefe da Fiesp. “Ainda assim, mantém papel estratégico na geração de empregos qualificados, inovação e dinamismo econômico”. Números O Estado de São Paulo possui 171.353 estabelecimentos industriais, incluindo a construção civil. Na comparação entre 2023 e 2024, houve crescimento de 3,9% desses estabelecimentos. No âmbito da indústria geral, o setor que concentra o maior número de estabelecimentos é a indústria de transformação, que em 2024 contava com 103.514 empresas – aumento de 2,8% em relação a 2023. Em 2024, o Estado de São Paulo foi responsável pela criação de 456.754 novas vagas com carteira assinada, o equivalente a cerca de 27% dos 1,7 milhão de postos formais gerados no país no mesmo período. A indústria paulista, por sua vez, respondeu por 92.429 dessas vagas, quase o triplo do número registrado pelo setor em 2023 (33.248). Papel central A indústria foi responsável por 24,7% do PIB do Brasil no ano passado. Do total, a indústria de transformação respondeu por 14,4%. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que o setor desempenha papel central em áreas-chave como exportações, inovação, arrecadação tributária e geração de empregos. A indústria foi responsável por 68,7% das exportações brasileiras de bens e serviços em 2024. Somente a indústria de transformação alcançou volume recorde de US\$ 181,9 bilhões em exportações, com destaque para os segmentos de alimentos, metalurgia e veículos. Na geração de empregos, a indústria emprega formalmente mais de 10 milhões de trabalhadores, o que equivale a 21% dos empregos com carteira assinada no País. “Após período de retração, o setor vem mostrando sinais consistentes de recuperação e crescimento, impulsionado por investimentos em inovação, expansão das exportações e aumento da empregabilidade”, aponta a CNI.