A ilha mais perigosa do mundo, a da Queimada Grande, no litoral de São Paulo, só pode ser acessada por meio da cooperação da Marinha do Brasil (Reprodução) Quem observa a Ilha da Queimada Grande de longe pode até imaginar que se trata de mais um destino para quem gosta de explorar as belezas naturais do litoral de São Paulo. Mas a realidade é bem diferente. Conhecida popularmente como Ilha das Cobras, a formação rochosa localizada a cerca de 35 quilômetros da costa de Itanhém, na Baixada Santista, tem o desembarque proibido e não recebe visitantes comuns. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A restrição de acesso está relacionada tanto à preservação ambiental quanto às próprias características do local, que abriga uma espécie de serpente encontrada exclusivamente ali, a jararaca-ilhoa (Bothrops insularis). A ilha, considerada a mais perigosa do mundo, integra uma Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie), criada por decreto federal em 1985. Segundo a Prefeitura de Itanhaém, o acesso é proibido. A ilha não possui praias ou enseadas que facilitem a chegada de embarcações, e o acesso à terra ocorre por plataformas rochosas com grande quantidade de limo, o que torna a operação ainda mais difícil. Não é destino turístico Apesar da fama que ganhou ao longo dos anos, ao ser apontada como a ilha mais perigosa do mundo, a Queimada Grande não funciona como um ponto turístico convencional. Não há passeios regulares para desembarque, trilhas abertas ao público ou estrutura para receber visitantes. O Instituto Butantan também reforça que o local não está aberto à visitação do público em geral. O acesso é restrito e está relacionado principalmente a atividades autorizadas, como pesquisas científicas. Isso significa que aquelas imagens de pessoas caminhando pela ilha, frequentemente associadas a expedições, não representam uma possibilidade de turismo comum. A presença humana precisa seguir regras específicas para não colocar pessoas em risco, nem interferir no ambiente protegido. Por que ficou conhecida como Ilha das Cobras? A fama vem de uma moradora bastante peculiar: a jararaca-ilhoa. A espécie é endêmica da ilha, ou seja, não ocorre naturalmente em nenhum outro lugar do planeta. O isolamento geográfico ao longo de milhares de anos fez com que a serpente desenvolvesse características próprias. Entre elas estão hábitos mais associados à vida nas árvores e uma alimentação baseada principalmente em aves. A presença das cobras também está relacionada ao próprio nome da Ilha. Segundo a Prefeitura de Itanhaém, pescadores que precisavam desembarcar no local costumavam atear fogo na vegetação costeira para tentar afastar as serpentes. A prática teria dado origem ao nome Queimada Grande. Uma ilha sem praia Além da presença das serpentes, a geografia ajuda a explicar por que a chegada à ilha não é simples. A Queimada Grande possui cerca de 430 mil metros quadrados e terreno irregular, com duas elevações, sendo que a maior chega a 206 metros de altitude. Ao redor, predominam rochas, e não há uma faixa de areia que permita o desembarque convencional. A Prefeitura de Itanhaém também informa que a área ao redor da ilha possui restrições para atividades como a pesca, com proibição em um raio de mil metros. Proteção antes da curiosidade A restrição de acesso à ilha tem um objetivo que vai além do perigo associado às cobras. A Ilha da Queimada Grande é um ambiente natural singular, com espécies adaptadas ao isolamento e uma biodiversidade que interessa à ciência. A própria jararaca-ilhoa é considerada uma espécie ameaçada, e órgãos ambientais mantêm ações voltadas à sua conservação. Documentos destacam a necessidade de reduzir a retirada ilegal de animais da ilha e proteger as espécies endêmicas que vivem no território. Por isso, apesar da curiosidade que a "Ilha das Cobras" desperta, o mistério do local permanece justamente porque ele não está aberto para quem quiser simplesmente desembarcar e explorar.