[[legacy_image_15405]] Desde o dia 10 de abril, a enfermeira Adriana Luiza Rodrigues Cordeiro, de 44 anos, trocou a casa onde mora com os pais, em Praia Grande, pelo Hotel Monte Serrat, na Vila Nova, em Santos. Ela e mais 85 profissionais da saúde que atuam na linha de frente do Plano de Contingência Municipal Covid-19 passaram a viver nas acomodações oferecidas pelo município. A novidade agradou tanto que o hotel já está lotado, e há uma lista de espera com 40 pessoas interessadas na hospedagem especial. Segundo ela, a medida trouxe um pouco de tranquilidade no dia a dia, uma vez que eles podem trabalhar sem a preocupação de, na volta para casa, expor os familiares a possível contágio pelo vírus. “Tive colegas que chegaram a dormir no carro com receio de entrar em casa e contaminar um familiar”. Ela, por exemplo, vive com os pais, que são idosos e hipertensos. Além disso, o irmão, de 34 anos, que tem diabetes, também está passando o período de quarenta na mesma moradia. “Não tinha mais condições ter contato com eles, porque são do grupo de risco. Tive de optar por ficar sozinha. É uma decisão muito dura para nós, que somos da saúde. Não está sendo fácil, tem que ter muita fé. É isso que nos dá combustível todo dia”. Apesar disso, a saudade sempre aperta. Tanto que Adriana se emociona ao lembrar da família. Porém, conta que os profissionais têm apoiado uns aos outros. “Embora cada um esteja em um quarto, a gente não está sozinho aqui. A dor de um é a dor do outro. Estamos todos juntos, porque todos que estão aqui estão pelo mesmo motivo”. Adriana trabalha das 19h às 7h na UPA Central e, agora, passará a atuar na Afip, e diz que equilíbrio emocional é fundamental nesse momento de pandemia. “Estamos no momento em que todo mundo pode chorar, mas nós não. Temos de estar firmes. A verdade, que muitos não contam, é que a única imagem que os pacientes têm e, às vezes, a última, mesmo que a gente entre com todo o equipamento de proteção, é a nossa”. Detalhes Segundo o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), o município analisará a possibilidade de abrir mais vagas em hotéis para os profissionais que estão em lista de espera. “Estamos procurando desenvolver todas as medidas que possam dar retaguarda para os profissionais de saúde que estão na linha de frente, colocando suas vidas em risco para salvar outras pessoas. Vamos aguardar essa semana essas inscrições para poder definir em relação a isso. Mas vamos fazer tudo o que for necessário para atendê-los”.