[[legacy_image_301686]] O que o amor de um pet pode fazer pelo dono? No caso da operadora de caixa Thais Câmara Cunha, de 28 anos, a Magali, uma labradora bege, ensinou que com a ajuda desse sentimento valioso, qualquer obstáculo pode ser superado, inclusive se ele for um câncer. Já o Ruah, um yorkshire de tons amarronzados, ensinou para a fotógrafa Tamires Alves da Silva, de 34 anos, que nunca é tarde para seguir aquele sonho profissional que está adormecido no coração. No Dia Mundial dos Animais, comemorado nesta quarta-feira (4), as histórias dessas duas tutoras do litoral de São Paulo se unem pelo mesmo motivo: o apego aos seus melhores amigos. Thais é de Guarujá e lutou durante sete meses para que a cachorra conseguisse vencer o câncer, cujo tratamento todo precisou ser realizado na Capital e por um valor de mais de R\$ 20 mil. Quem registrou a vitória de toda essa luta foi a Tamires, que por meio da fotografia de pet, retomou o seu antigo sonho e hoje conta histórias de amor entre tutores e animais de estimação. Da Administração à fotografiaDepois de trabalhar quase quatro anos no setor administrativo de um despachante aduaneiro no Porto, Tamires, que mora em Santos, sentiu que deveria tentar mudar o rumo de sua vida. Ela olhava para as fotos do cachorrinho Ruah e percebeu que só tinha fotos dele e nunca dos dois juntos. “Achei que outras pessoas, assim como eu, tinham essa dor de não ter registros com o seu pet. Foi aí que eu decidi transformar em fotografia, o amor do pet e do seu tutor”, explica. [[legacy_image_301687]] A fotógrafa começou a estudar o segmento para poder oferecer um bom trabalho aos clientes. Em junho de 2022, ela começou a fotografar e desde então já contou milhares de histórias por meio das fotos. “Eu geralmente marco os ensaios em pontos turísticos de Santos ou no lugar que o tutor tenha preferência, mas sempre tentando contar uma história.” A experiência tem sido desafiadora para Tamires, mas ela revela que tudo tem um significado muito bonito e que de cada ensaio, traz um sentimento novo pra casa. “É muito dinâmico, pois o pet não sabe que tá fazendo um ensaio fotográfico, então ele corre, brinca, e eu deixo ele ser livre com o tutor. É assim que eu consigo captar boas imagens das brincadeiras, do carinho, a troca de olhar, do cuidado, da atenção e isso é muito gratificante”, destaca. [[legacy_image_301688]] Ela fala que os animais são fiéis e leais e enchem a casa e o coração de amor, se tornando verdadeiros membros da família. Esse é o caso do Ruah, que está com ela há três anos. “Eu nunca imaginei que um animal de estimação tomaria conta da minha casa, da minha vida, do meu coração e dos meus negócios. Ele significa um enviado de Deus para despertar um talento que estava adormecido e eu não tinha noção”, revela. [[legacy_image_301689]] Tamires ainda não tem condições de deixar o outro emprego, mas segue no desafio da fotografia almejando que um dia possa viver somente disso. “Eu amo o que eu faço e o meu sonho é viver de foto. É muito gratificante ver a alegria dos meus clientes ao receberem essas memórias registradas. Alimenta a minha alma e me deixa com o coração quentinho”, revela. Na rotina dos ensaios, Thamires sempre tem a oportunidade de conhecer diversas histórias, das mais engraçadas até as mais emocionantes. Numa dessas idas e vindas da vida, ela pode conhecer a história de quem também estava se ressignificando por causa de um animalzinho de estimação, que é o caso da tutora Thais e a cachorra Magali, ou Lili como carinhosamente é chamada. Magali, a guerreira que venceu o câncerTudo começou quando lá em agosto de 2022 quando num passeio rotineiro, Thais notou que Magali, estava com a pata inchada e resolveu averiguar. O que parecia uma simples picada de inseto ou uma torção, após diversos exames, teve um resultado. Era um tumor maligno do tipo sarcoma de tecidos moles. “Ela tinha apenas 1 ano e 9 meses quando recebemos esse diagnóstico. Foi um baque. A gente mal sabia o que estava por vir”, conta. [[legacy_image_301690]] O caso poderia ser facilmente tratado, se o tipo de câncer que Magali tinha fosse compatível com alguma terapia, mas não era. Só foi possível realizar o tratamento em São Paulo, por um valor que ficaria em torno de R\$ 21 mil para 18 sessões de radioterapia. “Mesmo com esse valor alto, a vontade de lutar por ela foi muito maior”, desabafa Thais. Foi aí que ela e o marido começaram uma campanha da internet para custear o tratamento da cachorra. Passaram a vender camisetas, chinelos e canecas personalizadas, até que a foto de Magali das redes sociais foi parar em vários meios de comunicação e conseguiram bater a meta de vendas. “Foi o dia mais feliz da minha vida! Saber que estávamos no caminho certo e que a nossa Magali ia conseguir o tratamento necessário”, revela a tutora. Durante 18 dias, de segunda a sexta-feira, Thais subia a serra com um carro alugado em direção a São Paulo para levar a cachorra para a radioterapia. Histórias cruzadasDepois de um mês de tratamento finalizado, Thais sentiu que era necessário fazer algo que marcasse aquela vitória da Magali. Foi aí que os caminhos dela e de Tamires se cruzaram. Ao saber da história da cachorrinha, a fotógrafa conta que ficou muito emocionada e não hesitou em ajudá-la. [[legacy_image_301691]] “Eu queria muito fazer um ensaio de comemoração do primeiro mês e também divulgar a venda dos personalizados para arrecadar o valor que ainda faltava para custear o tratamento. Quando conheci a Tamires, fiquei muito feliz, além de uma fotógrafa, ganhei também uma amiga. Ela nos recebeu com todo amor e tornou aquele dia único e especial para gente”, relata Thais. Foram sete meses de radioterapia e cirurgia, até que no dia 12 de dezembro de 2022, a Lili conseguiu tocar o sino como símbolo de sua recuperação. Agora curada, o momento especial para a cachorrinha e os tutores também precisava de um registro a altura. [[legacy_image_301692]] “Foi muito importante registrar esse momento, foi sei o quanto de significado isso tinha pra essa família que lutou tanto pra Lili sobreviver. A história deles me marcou muito e me deixou emocionada, por isso eu quis dar o meu melhor”, revela Tamires. A história de Magali teve uma continuação. Hoje ela brinca com as “irmãs” Maya, Maggie e Mel e os tutores e “papais”, Thais e Fabrício. Toda a situação da cachorrinha ainda serviu para que os dois conseguissem também montar o próprio negócio, e o que antes era arrecadatório, hoje virou empreendedorismo. “As pessoas abraçaram a nossa história e o amor venceu. Com tudo superado, hoje ainda conseguimos manter a nossa loja de personalizados em casa e construímos a nossa história através da Magali”, finaliza Thais. [[legacy_image_301693]]