Um tubarão foi visto na tarde deste sábado (11) próximo à faixa de areia na região das Galhetas, na Praia das Astúrias, em Guarujá, no litoral de São Paulo. O registro foi feito pelo empresário e surfista Marcelo Tadeu, de 37 anos, que estava no local com a família. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo ele, o aparecimento do animal ocorreu por volta das 17h30, enquanto observava o mar ao lado da esposa e das filhas, de 13 anos e 1 ano. Ao perceber um movimento diferente na água, inicialmente pensou se tratar de um galho, mas logo identificou que era um tubarão. “Ele nadou de forma tranquila, fez algumas varreduras no raso e depois seguiu para o fundo”, relatou. De acordo com Marcelo, o animal tinha cerca de 1,5 metro de comprimento, não sendo completamente adulto, mas também não filhote, e apresentava um comportamento calmo. O tubarão permaneceu na região por aproximadamente 10 minutos, cerca de quatro minutos em área mais rasa e seis minutos em águas mais profundas, antes de desaparecer. Avistamentos anteriores O empresário contou que este não foi um caso isolado. Dias antes, na quarta-feira, ele e a esposa já haviam observado uma barbatana grande a cerca de 500 a 600 metros da praia, em direção ao mar aberto. Na quinta-feira, o animal foi visto novamente, desta vez mais próximo da costa. Além disso, em uma ocasião anterior, enquanto surfava na mesma região, Marcelo registrou, com uma câmera acoplada à prancha, um pequeno peixe saltando na sua direção. Ao analisar o vídeo posteriormente em câmera lenta, percebeu que um tubarão, de aproximadamente 1 metro, passava logo abaixo, aparentemente em atividade de caça. Movimento intenso na água Apesar da presença do animal, o mar estava cheio no dia do registro. “Era um dia de muitas ondas boas e bastante gente surfando”, disse. O local, segundo ele, é bastante frequentado por surfistas devido à corrente que facilita o acesso ao “outside”, ponto onde as ondas quebram com mais força. Marcelo afirmou que chegou a permanecer mais de três horas na água no mesmo ponto, pouco antes do avistamento, e não percebeu qualquer sinal de risco naquele momento. Preocupação com banhistas Mesmo com o comportamento considerado tranquilo do tubarão, o surfista demonstrou preocupação, já que a área também costuma receber muitos banhistas, incluindo crianças. “É um lugar com bastante movimento. A gente fica impressionado e atento, mas ele estava na dele e foi embora sem causar nenhum problema”, afirmou. No momento em que o animal apareceu, não havia salva-vidas próximos. Segundo Marcelo, o posto mais próximo fica a cerca de 2 quilômetros de distância, o que dificulta qualquer tipo de comunicação imediata em situações de emergência. -Tubarão Guarujá (1.509688) Vídeo repercute nas redes O vídeo do animal rapidamente chamou atenção nas redes sociais. Marcelo disse que já esperava uma grande repercussão. “Brinquei com minha esposa que, se não tivesse pelo menos 100 mil visualizações, eu mudaria de nome”, contou. Espécie O biólogo marinho Eric Comin destacou que o animal visto nas imagens feitas por Marcelo pode ser um tubarão-martelo, uma das espécies de tubarão mais características. Este peixe cartilaginoso possui uma cabeça peculiarmente achatada, conhecida como cefalofólio, que proporciona vantagens evolutivas, como um campo de visão amplo e excelente percepção de profundidade. A dieta do tubarão-martelo inclui peixes, lulas, polvos e arraias, mas ele não costuma ser agressivo com humanos. O biólogo também apontou que, apesar de ser um predador de topo, o tubarão-martelo raramente oferece risco à vida humana e geralmente é arredio com mergulhadores. No entanto, o aumento da presença de tubarões nas regiões costeiras pode ser atribuído a sua época de reprodução, que ocorre especialmente nos meses mais quentes, de novembro a março, coincidindo com o verão. De acordo com Eric, o tubarão-martelo geralmente busca áreas rasas e protegidas, como baías e estuários, para dar à luz, um comportamento estratégico para proteger os filhotes de grandes predadores. Contudo, a pesca predatória e a degradação ambiental continuam sendo os maiores desafios para a espécie. Embora a presença de filhotes na costa seja relativamente comum, o risco para banhistas continua sendo muito baixo, já que eles são pequenos e extremamente ariscos. Mesmo assim, é sempre recomendável tomar precauções em áreas de pesca ou quando se avista nadadeiras dorsais na superfície. Comin também ressaltou que, além da pesca predatória, a captura incidental e a degradação ambiental têm acelerado a extinção de várias espécies de tubarão-martelo, que estão classificadas como “Em Perigo” ou “Criticamente em Perigo” na Lista Vermelha da IUCN. As fêmeas, que podem gerar ninhadas de até 50 filhotes, buscam águas rasas e protegidas, como as da Baixada Santista, para dar à luz. No entanto, a poluição e o aumento da atividade pesqueira têm diminuído as áreas seguras para sua reprodução. Comin reforça a importância de conscientizar a população sobre a preservação dos tubarões e os impactos do consumo irresponsável, alertando que o mercúrio presente nos tubarões pode afetar diretamente o sistema nervoso humano.