[[legacy_image_249036]] As fortes chuvas do último final de semana deixaram marcas fortes e invariavelmente tristes em uma comunidade com mais de 150 pescadores da região do Perequê, em Guarujá. As perdas vão do lar, bastante danificado, aos instrumentos de trabalho: os barcos. Trata-se de uma comunidade que vai demorar a esquecer o que vive desde o último domingo (19). “Não parei a noite inteira. Pedi para a minha esposa abrir a igreja evangélica, tinha roupas do brechó. Eu e minha esposa começamos a dar para as pessoas que estavam molhadas. Teve gente que não conseguiu pegar nem os documentos, porque não deu tempo”, relata o pescador Neraldo Silva de Souza. Ele ajudou, com sua embarcação, a salvar vizinhos, junto com barcos dos bombeiros e de outros pescadores. Sua filha, a estudante Jemima Santos de Paula, acompanhou de perto a acolhida na igreja onde o pai é pastor. “Foi quando as pessoas começaram a vir com os bombeiros, os pescadores, crianças sem os pais, além de gestantes e pessoas com deficiência”, pontua. Eram recebidos com alimentos e roupas, mas, sobretudo, com um olhar generoso e humano. Ao percorrer a área atingida pelas chuvas, é possível notar que, sobre estacas de madeira, foram erguidas moradias às margens do Rio do Peixe. As mais atingidas, do lado do mangue, são o retrato de uma tragédia que não poupou quem têm o mar como meio de subsistência. “O barco estava amarrado atrás da minha casa. Só o motor foi recuperado. Foi quando arrastou o barco e trouxe para cá para baixo da ponte. Ficou nessa si9tuação. Essa é a embarcação que uso para meu trabalho. Inclusive, pus atrás de casa porque está no defeso (do camarão), mas a gente não acreditava que fosse acontecer uma coisa dessas”, pontua o pescador, Luís Carlos Jesus Costa. Até as saídas para obter peixes, para consumo ou venda, estão comprometidas com a destruição da embarcação. “Fico de mãos atadas”, lamenta. No vai e vem do rio, é possível ver barcos passando com e móveis, colchões, eletrodomésticos e objetos que a enchente danificou. RecomeçarOs relatos se sucedem, e assustam. “Nem dá para pisar na água mais, porque a água já está dando choque, porque chegou no nível das tomadas”, conta um pescador, Um vídeo relatava, com imagens, a situação precária. Outro, Edmilson Batista, também contabiliza os prejuízos. Mas traz consigo um olhar mínimo de esperança, ainda que o momento não pareça apontar para isso. “Perdi cama, fogão, geladeira, essas coisas. Mas, com o tempo, todo mundo cosntroi de novo”, finaliza. Assim seja.