Esse tipo de cena tem sido cada vez mais comum em residências: louça e roupas acumuladas por causa do problema no abastecimento (Arquivo Pessoal) A quantidade de queixas de moradores e comerciantes do Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, é totalmente oposta ao número de gotas que caem das torneiras de residências e estabelecimentos comerciais. Alguns relatos indicam problemas há pelo menos duas semanas. O clima quente e sem chuvas só piora o quadro. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “A moça que está à frente da loja vai no mercado e compra galões, para a gente passar o dia. No banheiro, a mesma coisa: precisa juntar água, porque sai pouquíssima da torneira. A coisa está feia mesmo”, relata a atendente Edilza Maia, de 52 anos, que trabalha em uma loja que comercializa produtos descartáveis na Avenida Tiago Ferreira. Como se não bastasse na loja, ela também é obrigada a enfrentar o problema em casa. “A gente tem caixa d’água. Só que, quando secam as torneiras com a água da rua, é preciso ligar a bomba para, durante o dia, manter o necessário”. Também atendente, Fernanda Firmino, de 32 anos, engrossa o coro da indignação. “Na casa onde moro, a água da caixa só vai para o banheiro. Na cozinha, se a gente quiser beber água, porque o filtro é ligado à torneira, não tem. Sem garrafa cheia, fica com sede”. A costureira Geni Ferreira Gonçalves, de 60 anos, moradora do Bairro Pae Cará, já desistiu de procurar a Sabesp em busca de uma resposta. O que vive cheia, mesmo, é a pia, com a louça aguardando a normalização do abastecimento. “O mais difícil é que a Sabesp não explica o que está acontecendo. Para tomar banho, usamos a água acumulada em baldes. Quando tem água, é apenas um fio, e a gente tem que aproveitar para encher os baldes. A máquina de lavar também está parada”, descreve. Comércio sente Um dos pilares da economia de Guarujá, o comércio de Vicente de Carvalho tem sentido os efeitos do problema de abastecimento. É o que afirma a presidente do Clube dos Diretores Lojistas (CDL) de Guarujá, Sandra Salvador. “Todo ano temos problemas com a distribuição de água em Vicente de Carvalho. Agora, a desculpa que é que já está sendo regularizado, e que, por falta das chuvas, os rios que abastecem Vicente de Carvalho ficaram com nível baixo. Mas que eles vão irão disponibilizar caminhões-pipas para encher as caixas d’água. É assim: se chove, alaga; se não chove, falta água. É uma luta bem desafiadora”, resume. Posicionamento Por meio de nota, a Sabesp informou que “está vistoriando os endereços do Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, onde foi registrada alguma anormalidade no fornecimento de água” e que “variações na pressão da água distribuída podem acontecer durante dias com altas temperaturas (como vem acontecendo de forma atípica para esta época do ano)”.