O Ilê Oiá Messã Orum, a Casa do Pai Bobó, no Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, pode se transformar em patrimônio imaterial do Brasil. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) visitou o local para dar início ao processo de tombamento, que também pode envolver aspectos materiais do imóvel. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a Prefeitura, o processo é longo. No primeiro encontro, participaram o presidente do Ilê, Luiz Carlos Obalodé, responsável por preservar o legado de Pai Bobó de Iansã, além de representantes da Administração Municipal, que integram as secretarias de Direitos Humanos e Cidadania (Sedhuci) e de Cultura (Secult). Cultura de resistência Depois dessa primeira reunião, ainda serão necessárias visitas de antropólogo e historiador, além de uma pesquisa minuciosa, com levantamento de dados, serviços, aspecto social e simbólico (religiosidade), “inclusive para definir se o local será tombado só como patrimônio imaterial, ou material também, de acordo com as características identificadas pelo Iphan”, destacou. Luiz Carlos, presidente do terreiro, afirma que o tombamento vem para relembrar uma cultura de resistência e luta. “É uma forma de preservar esse solo sagrado, essas árvores sagradas, os santos da casa e o sagrado, porque tudo isso aqui é um espaço sagrado, de resistência ancestral, de muita luta”, afirma. “Uma casa que vai fazer 70 anos de muito respeito, não só com o povo do santo, o povo do axé, mas com todas as religiões. É um marco não só para Vicente de Carvalho, como para toda a Baixada Santista”. O terreiro mantém viva a história de Pai Bobó de Iansã desde que chegou a Guarujá, tornando-se uma liderança reconhecida e respeitada. Ele morreu em 1993. Na época, não só a comunidade do candomblé, como praticantes de diferentes tradições religiosas lamentaram a partida. O terreiro fica na Rua Argemiro Genuíno da Silva, 60, no Pae Cará. História O terreiro foi fundado em 1957 por José Bispo dos Santos, conhecido como Pai Bobó de Iansã, uma das figuras centrais no processo de expansão do candomblé baiano para a Região Sudeste. Se o processo for concluído, este será o primeiro templo sagrado das religiões de matriz africana do Estado de São Paulo a receber esse reconhecimento do Governo Federal.