[[legacy_image_311705]] Durante uma ocorrência, em uma residência que fica em um morro na comunidade Vila Baiana, em Guarujá, no Litoral de São Paulo, um condutor do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) sofreu uma queda, e precisou ser socorrido por colegas de profissão. O acidente ocorreu no início da tarde desta terça-feira (14). Cesar Santos, funcionário do Samu há 8 anos, contou à Reportagem, como foi o momento que o fez sair de socorrista a socorrido. “O que aconteceu foi uma intercorrência, algo que pode acontecer com qualquer profissional do setor”, diz, iniciando seu relato. Segundo ele, a equipe foi chamada para um atendimento no morro da Vila Baiana, na rua Argentina. Mas, ao chegaram no fim da via, uma senhora comunicou que o atendimento seria no alto do morro, e a equipe subiu para atender o morador que estava com dor e febre, em um pós operatório. Ao chegarem no local, a equipe percebeu que precisaria de reforços para descer o paciente, em uma escadaria de, aproximadamente, 250 metros - que ele descreveu como tendo degraus irregulares, mato e muito escorregadia. Por isso, a equipe acionou o Corpo de Bombeiros, que prontamente foi até o local para auxiliar na remoção. Posteriormente, os socorristas colocaram o paciente em uma maca cesto e iniciaram a descida pela escadaria do morro, com os bombeiros na parte inferior e os socorristas do Samu na parte superior (sentido descida). “Nós estávamos com bastante cautela, porque temos que agir desta forma. Pela segurança da equipe e para prestar o melhor serviço para a população”, relata. Cesar ainda diz que para a descida do paciente, foi ‘bolada’ uma estratégia e todos estavam descendo com cuidado, quando ele tropeçou em um degrau ‘bastante alto’, com cerca de 40 a 50 centímetros de altura, diferente dos demais, e acabou caindo sentado, levando uma forte pancada na bacia e na coluna. Durante a queda, a maca caiu sobre ele, atingindo-o nas pernas. “Nesse momento, eu sinalizei que não estava bem. Os rapazes do corpo de bombeiros seguiram adiante com o resgate do paciente e eu fiquei aguardando apoio”. Foi solicitado, então, que uma outra equipe fosse até o local socorrê-lo. “De pronto veio a ambulância, com um médico, o condutor e uma enfermeira, e também as moto ambulâncias que tem na cidade vieram dar apoio”. O médico prontamente atendeu César e o medicou, o que aliviou a dor e possibilitou que ele fosse colocado na maca. “Todos, em uma única força, desceram comigo e me conduziram até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Rodoviária, onde, novamente foi me dado um medicamento para dor”. Posteriormente, o condutor foi encaminhado para o Hospital Santo Amaro, onde foi realizada uma tomografia e alguns exames. Além disso, ele ficou em observação por um tempo. No início da noite, recebeu alta. A tomografia não apontou nenhuma fratura, e ele sente apenas uma dor forte. Mas, ele ressalta que recebeu um bom atendimento, desde o resgate até a chegada à UPA. “Digamos que hoje eu fui o paciente, né? Eu inverti os lados” À Reportagem, ele ressaltou que socorristas não estão ilesos de sofrer acidentes. “O serviço do Samu consiste nisto: a gente vai resgatar as pessoas, estamos preparados, fazemos exercícios e treinamos para isso. mas, vez ou outra pode acontecer um acidente. Ninguém está salvo disso e foi isso que aconteceu comigo”. Ele também enfatizou que toda a equipe trabalha para oferecer o melhor às vítimas. “Agora é me recuperar e voltar a fazer o que eu amo fazer, que é o socorrismo”, diz.