Entre sexta e sábado, foram realizados diversos debates sobre a conjuntura política e econômica do Brasil com participação de ministros, governador de São Paulo e empresários (Alexsander Ferraz) Queixa recorrente do setor empresarial, a taxa de juros motivou uma resposta do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Segundo ele, “o que o BC tenta sempre é seguir sua missão principal: fazer a inflação convergir para meta determinada pelo governo e manter o sistema financeiro sólido”. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A declaração foi feita durante o painel O Futuro da Economia no Brasil, que encerrou o Fórum Esfera, que ocorreu no Sofitel Jequitimar, em Guarujá. Entre sexta e sábado, foram realizados diversos debates sobre a conjuntura política e econômica do Brasil. Para ele, o compromisso do Banco Central é com um “trabalho técnico”, com um certo rito, para tentar fazer a inflação ir para meta com o mínimo de custo possível para a sociedade. “Às vezes as pessoas olham muito a inflação corrente, mas, se o BC fizesse política monetária olhando isso, seria como dirigir um carro olhando para o retrovisor, ia bater”, explica. Campos Neto ressalta que um horizonte relevante do que está sendo feito hoje pelo BC é entre 12 e 18 meses. Além disso, um ajuste de preço de gasolina está fora dos planos. “No governo passado, fui contra as desonerações em vários momentos, porque abaixa o preço hoje, não está no meu horizonte relevante, e tenho que aumentar o preço no ano que vem de novo. Estou transferindo inflação presente para inflação futura, fazendo com que cresça. No fim das contas pra gente o que importa é entender qual a expectativa do mercado e como isso vai se desenrolar lá na frente”, pondera. Inovação Presidente deo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante adota um discurso otimista sobre o momento econômico do País. Para ele, o restabelecimento do crédito para pessoas físicas e jurídicas é um sinal bastante positivo. “A gente nunca tropeça na montanha, mas na pedra. O único risco Brasil que existe é de o investidor chegar e não ir embora”. Para ele, a parceria entre Estado e iniciativa privada é essencial. “É um equívoco achar que menos Estado vai resolver. É melhor a gente começar a pensar grande e ter um diálogo mais construtivo.” Para A Tribuna, Mercadante destacou a forte presença de ações inovadoras entre os projetos que buscam investimento do BNDES. Porém, ele garante que a escolha segue critérios técnicos. “Uma parte desse investimento é para modernização digital das empresas, e outra parte para inovação tecnológica e a sua difusão”. Tarcísio diz que continua bolsonarista O painel que abriu a programação de ontem teve a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Questionado sobre seu alinhamento com o bolsonarismo, ele reforçou os laços com o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Eu sou bolsonarista e vou continuar sendo, e isso significa que sou conservador, liberal e acredito num Brasil que vai ter economia de mercado, que vai fazer a transição energética, que vai continuar acreditando no SUS gratuito e universal e na educação gratuita de qualidade”, resume. O governador destacou alguns atos de seu governo que caminham na direção apoiada por Bolsonaro. “Vamos reduzir custeio, despesa de pessoal, extinguir orgãos que não têm funcionalidade, Precisamos de uma visão modernizante”, preconiza o governador, que não falou com jornalistas. Sócio-fundador da empresa Cosan, Rubens Ometto Silveira Mello, destacou a importância no investimento na iniciativa privada, que seria “caminho mais barato e eficiente para o País”. “O dinheiro na mão da iniciativa privada rende mais do que na mão do governo. Aumento de arrecadação tira dinheiro de quem trabalha com eficiência, gera empregos e produz. Se ele controlasse a questão fiscal, os juros cairiam pelo motivo certo e o País voltaria a crescer”. Ministros destacam investimentos públicos Titulares de pastas importantes do Governo Federal, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e dos Transportes, Renan Filho, defenderam a política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “A gente tem que ter cuidado para não ter também uma visão distorcida de Nação. Além disso, o teto de gastos do governo anterior transformou o Brasil no País que menos investe os seus próprios recursos do mundo. Fortalecer o investimento público não é uma vontade do presidente Lula – é uma necessidade inexorável do País”, diz Renan Filho. Para ele, a ideia de uma reforma administrativa soa interessante só na teoria. “É bonito falar isso. Só que reforma administrativa não corta gasto do presente, só do futuro. Quais são as soluções? Vamos debatê-las, para não ter que cortar na carne”. Matriz energética Alexandre Silveira destacou o protagonismo brasileiro na corrida da transição energética. “O Brasil já fez a transição energética e continua investindo nisso. Temos 88% de energia elétrica limpa e renovável”. Ele, no entanto, acredita que não há como definir quando o combustível derivado do petróleo poderá ser deixado de vez. “Acredito na descarbonização, na energia verde. Mas o que não vejo como razoável é um País que contribui tanto com a sustentabilidade não poder pensar estrategicamente”. Secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior entende que a visão que o presidente Lula imprime no governo é da sinergia entre investimento público e privado. “Para nós não tem 0 ou 1”.