Praia do Perequê, em Guarujá, é citada em estudo sobre contaminação por bitucas de cigarro (Divulgação/Prefeitura de Guarujá e Imagem ilustrativa/Pexels) O problema da poluição nas praias ganhou um novo capítulo preocupante, e ele passa diretamente pelo litoral de São Paulo. Um estudo internacional elaborado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Johns Hopkins University, nos Estados Unidos, da Universidad San Ignacio de Loyola, no Peru, e do Instituto Nacional de Câncer (Inca), revelou que o Brasil ocupa o 4º lugar no ranking mundial de contaminação por bitucas de cigarro, com praias do estado de São Paulo estando entre as mais afetadas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O dado reforça um alerta: além da beleza natural e do turismo intenso, a região também enfrenta um desafio crescente relacionado ao descarte irregular de resíduos. Praias paulistas entre os pontos mais contaminados Entre os locais citados no levantamento, a Praia do Perequê, em Guarujá, aparece como uma das áreas com maior concentração de bitucas por metro quadrado (m²), totalizando 2,64 por área. A presença do resíduo está diretamente ligada ao grande fluxo de visitantes, especialmente em períodos de alta temporada, quando cidades do litoral paulista chegam a multiplicar sua população. Esse cenário torna o controle da limpeza urbana mais difícil e aumenta a pressão sobre o meio ambiente. Um resíduo pequeno, mas altamente poluente Apesar do tamanho reduzido, a bituca de cigarro é considerada um dos resíduos mais perigosos encontrados nas praias. Isso porque ela é feita de acetato de celulose, um tipo de plástico que pode levar anos para se decompor. Quando descartadas na areia, essas bitucas liberam substâncias tóxicas e microplásticos, contaminando o solo e sendo levadas para o mar, afetando diretamente a vida marinha. No litoral paulista, onde a economia depende fortemente do turismo e da pesca, os impactos vão além da poluição visual. Animais marinhos podem ingerir os resíduos, confundindo-os com alimento, o que compromete ecossistemas inteiros. Além disso, a contaminação pode atingir a cadeia alimentar e, consequentemente, o consumo humano. Turismo e falta de conscientização O aumento do fluxo turístico, aliado à falta de descarte adequado, aparece como um dos principais fatores para o crescimento desse tipo de poluição. Mesmo com ações de limpeza e campanhas ambientais em cidades do litoral de São Paulo, o problema persiste, principalmente por depender da mudança de comportamento da população. Desafio local, problema global Embora o estudo tenha alcance internacional, os dados mostram que o problema está presente no dia a dia de quem frequenta as praias paulistas. A presença constante de bitucas na areia reforça a necessidade de políticas públicas mais efetivas, ampliação de campanhas educativas e maior fiscalização. Mais do que preservar a paisagem, a questão envolve saúde ambiental e qualidade de vida, tanto para moradores quanto para turistas.