[[legacy_image_289256]] A gravação de uma reportagem do Profissão Repórter, da TV Globo, em Guarujá, teve momentos de tensão para a repórter do programa Danielle Zampollo. A matéria foi exibida na noite desta terça-feira (15). Ela estava na comunidade Prainha para apurar informações sobre as mortes da Operação Escudo - a ação deixou 18 mortos. No local, um policial militar aponta um fuzil para a jornalista, durante a reportagem. "Eu tinha acabado de chegar lá e eu estava com o meu celular. Tinha deixado a câmera no carro, porque eu fui mesmo para apurar, para checar as informações. E chegou ao local uma viatura do Comando de Operações Especiais (COE), da Polícia Militar", conta. A repórter se apresenta. “Eu sou jornalista, posso perguntar que trabalho vocês vieram fazer aqui hoje?” De acordo com a TV Globo, o policial não responde. A jornalista pega o celular e começar a registrar a entrada dos policiais na comunidade. Danielle fala mais uma vez: “Tô mostrando o trabalho de vocês, tá bom?". O policial começa a apontar o fuzil em direção a ela – a ação dura 17 segundos, de acordo com o tempo do vídeo. “Quando ele começou a apontar o fuzil para mim - e manteve a arma apontada - eu estranhei. Achei que estivesse acontecendo alguma coisa. Olho para trás e não tem ninguém. Só eu, numa viela estreita. Aí que eu vi que era comigo. Ele ficou 17 segundos apontando o fuzil pra mim, sem parar.” A repórter conta que decidiu se proteger após a ação do policial. “Quando eu percebi que o policial estava apontando o fuzil pra mim mesmo, eu decidi me proteger. Tinha uma casa em frente, me apresentei para o morador e pedi pra ficar na porta dele, para sair da mira do policial. E esse mesmo policial que estava apontando o fuzil para mim, decidiu me filmar. Pegou o celular dele e resolveu fazer um vídeo”, relata. O policial não usava nenhuma identificação na farda, o que é obrigatório. O jornalista Caco Barcellos, que comanda o Profissão Repórter, questionou o comandante-geral da Polícia Militar no Estado, Cássio Araújo de Freitas, sobre a situação vivenciada pela repórter. “O policial, quando ele entra em um local de alto risco, ele tem que entrar com todas as cautelas. Ele não sabia que a sua jornalista estava lá”, relata o comandante. Caco Barcellos reforça com o comandante que o policial sabia, porque Danielle se identificou. “Inclusive, ele fez uma filmagem dela e colocou nas redes sociais, como se ela tivesse ali indevidamente trabalhando, por ser uma favela”, pondera Caco. O comandante então dá outra resposta: “Eu vi a foto, mas esses detalhes nós não tínhamos esse conhecimento, você está me trazendo agora", diz.