[[legacy_image_48620]] Uma nova variante do coronavírus está circulando no interior de São Paulo. Chamada de P.4, ela foi identificada por um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Um detalhe preocupante é o fato dessa nova cepa ter uma mutação presente na variante indiana, que também já foi confirmada no Brasil. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Segundo a virologista e pesquisadora santista Cintia Bittar, a origem ainda é desconhecida, mas a mutação foi achada no começo deste mês em Mococa e já tem alta circulação em Porto Ferreira. “Ainda não temos como saber se ela é mais perigosa ou contagiosa, mas temos dados que preocupam. Existe uma mutação da cepa indiana, que é importante no que diz respeito a neutralização do vírus por anticorpos e traz preocupação por causa das vacinas já existentes”. A bióloga que mestrado e doutorado em Genética cresceu na Ponta da Praia e completa 38 anos no sábado. Para ela, a descoberta é um presente antecipado. “Trabalho com vírus desde 2005 e a sensação de finalmente aplicar o conhecimento para ajudar a população em um momento como o atual é muito gratificante. É muito importante detectar o início da circulação de uma variante antes que se torne um problema maior”. A professora doutora da Unesp e membro da Sociedade Brasileira de Virologia Paula Rahal, que também participou da pesquisa, explica que não dá para saber se a nova cepa já circula na Baixada Santista. “Sabemos que a variante pode ter uma importância no escape da resposta imune. Podemos dizer que nos locais onde começamos os estudos ela têm aumentado de frequência entre a população, mas nossos estudos daqui para a frente é que trarão mais respostas”. Especialistas O infectologista do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, Evaldo Stanislau, explica que as mutações são como filhos: “nem todos parecem com a gente, não são todos iguais”, diz ele. “Uma nova cepa pode indicar mais pessoas se infectando e mais rapidamente, mais gente procurando os hospitais e o caos e a falência da Saúde”. Ao mesmo tempo, ele ressalta que novas variantes surgem a todo momento e ainda é cedo para dizer como ela vai reagir. “Temos de aguardar para ver se essa variante se consolida ou vai perder na poeira como tantas outras. O que definirá isso são os parâmetros da Organização Mundial da Saúde, de acordo com a transmissão e a gravidade de casos”, explica Stanislau. Para o infectologista Eduardo Santos, erros de replicação fazem com que cada geração seja diferente da anterior. “De maneira geral, a maioria das mutações é pior para o vírus, porque são poucos que ficam mais fortes. Mas os pesquisadores que estudam a variante há um mês estão mais por dentro e, se observaram preocupação, é algo que merece atenção”. O doutor em Infectologia Marcos Caseiro diz que a possibilidade de cepas diferentes significa maior poder de infecção e mais rapidez nesse processo. “Ela se fixa melhor no receptor, além de ter maior capacidade de transmissibilidade. São dois grandes problemas”. O doutor em Infectologia Marcos Caseiro diz que a possibilidade de cepas diferentes significa maior poder de infecção e mais rapidez nesse processo. “Ela se fixa melhor no receptor, além de ter maior capacidade de transmissibilidade. São dois grandes problemas”.