[[legacy_image_249880]] Os reflexos das enchentes que atingiram a Baixada Santista durante o Carnaval seguem sendo sentidos por moradores da região. Em Guarujá, o abrigo de uma ONG que resgata cães em estado de abandono inundou e a instituição teve diversas perdas, inclusive irreparáveis - como a vida de um filhote. Agora, a luta é para se reestruturar. (veja no vídeo mais abaixo) Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em entrevista para A Tribuna, o vice-presidente da ONG ‘Cãopanhia Baltazar’, Angelo André Gaspar, contou que a instituição é um sonho de sua filha (que é a presidente) realizado há dois anos. “Ajudamos, tratamos, vacinamos, castramos e os cachorros vão para adoção responsável, que a gente acompanha”, enfatiza, dizendo que o projeto ainda possui ‘mascotes’: a porca ‘Dorinha’ e um casal de tartarugas. Todos os animais ficam na chácara emprestada para servir de abrigo, junto com Angelo – que também vive lá exclusivamente para cuidar dos animais. No entanto, o vice-presidente divide o tempo para também ficar na casa da família, onde estava quando as fortes chuvas foram registradas no último dia 18. [[legacy_youtube_RTNDQ8untss]] “Eu ia jantar e voltar (para a sede), só que a chuva estava muito forte e sem parar. Começou a encher tudo e eu não tinha como ir para a chácara”, explica o voluntário, que foi para o local na manhã do dia seguinte, junto com os dois filhos. No entanto, a família foi surpreendida ao chegar no local. “Estava tudo inundado. A gente chegou com água pelo joelho no portão do abrigo, abrimos e foi aquela cena dos cachorros nadando, pois não tinham onde ficar”, relembra Angelo, dizendo que os animais se salvaram ao ficarem em cima da cama dele, que é alta. “Saíram quando eu cheguei, que vieram fazer festinha nadando”. Porém, um dos cachorros não conseguiu se salvar. “Constatamos que perdemos um filhotinho, uma fêmea”, lamenta Angelo. Além disso, o macho do casal de tartarugas também sumiu após a água tomar conta do local. Uma cadela que estava no pós-operatório de uma cesárea (com filhotes em óbitos) ainda precisou ser socorrida, pois a cirurgia abriu. “Quase que as tripas dela saíram para fora, isso já era quase 23h. Antes estava tudo bem, mas acho que amoleceu por conta da água”. Segundo Angelo, a cadela ficou internada por cerca de três dias, mas conseguiu se recuperar. Uma das cenas mais tristes na visão do vice-presidente da ONG foi com a porca Dorinha, adotada pela presidente da ‘Cãopanhia’ enquanto ainda era pequena, e que vive na chácara para ter espaço, já que hoje pesa cerca de 250 kg. “Estava morrendo afogada, só com o nariz para fora. A gente a colocou em uma baia de cachorro”, relembra. [[legacy_image_249881]] O prejuízo ainda foi devastador com os bens materiais, desde eletrodomésticos, como máquina de lavar usada para as roupinhas dos cães, até sacos de ração dos animais. “Perdemos material de construção que a gente está terminando de construir, molhou muita ração mesmo em sacos fechados, medicamentos boiaram”. AjudaPara reconstruir tudo o que foi perdido e seguir com o trabalho, a ‘Cãopanhia Baltazar’ conta com apoio da população. “As pessoas têm se mobilizado para ajudar. É legal ver o quanto nosso trabalho foi e está sendo reconhecido”, afirma Angelo. A ONG realiza rifas, recebe doações e faz vaquinha virtual para arrecadar o suficiente para cuidar dos 18 animais que vivem no abrigo. Entre os itens recebidos estão ração, eletrodomésticos e móveis usados, produtos de higiene, entre outros, que são arrecadados em alguns pontos de Santos e Guarujá. Todas as informações estão nas redes sociais da instituição. Com exceção do cuidado veterinário que é particular e varia de acordo com a demanda, todo o trabalho realizado na ONG é feito pela família, que se divide entre o tratamento, resgate, etc. “Eu, minha esposa e mais três filhos. A gente vai se revezando”, conta Angelo, dizendo que o sonho deles é conquistar um lugar próprio para a ‘Cãopanhia’.