[[legacy_image_225691]] O amor está no ar. Ou melhor, no mar, na areia e junto ao pequeno Noah, de 10 meses. Ele foi adotado pelo casal de noivas paulistanas Danielle Melo, de 31 anos, e Letícia Coelho, de 28. Com tão pouco tempo de vida, já foi convocado para uma grande responsabilidade: entregar as alianças no altar do casamento de suas mães. A cerimônia foi no último sábado (26), na Praia do Tombo, em Guarujá, e foi o primeiro casamento homoafetivo realizado nas areias da cidade. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Esta história de amor começa há 14 anos, quando as duas se conheceram em um curso de computação gráfica. Atualmente, Danielle é coordenadora acadêmica e foi professora de Letícia. Depois que o curso terminou, elas se tornaram amigas. “Nós tínhamos bastante coisas em comum e nos tornamos melhores amigas, aquelas que não desgrudam para nada”, conta Danielle. O tempo foi passando e as melhores amigas começaram a entender que aquela relação não era apenas uma amizade. “Foi quando a gente se descobriu”, conta. Danielle admite que no início ambas quiseram negar o sentimento, afinal “era um complexo, um tabu uma mulher gostar de outra mulher. Mas, apesar dos conflitos internos, o amor falou mais alto”. Em 2017 elas decidiram oficializar o namoro. “Há cinco anos resolvemos que era isso mesmo que a gente queria e não adianta mais a gente lutar contra nada, contra os nossos sentimentos”, explica Danielle. Elas contam que, quando assumiram a relação, precisaram superar algumas barreiras e preconceitos: levaram informações às suas famílias e tiveram que se posicionar. “Nós enfrentamos tudo juntas. Uma segurando a mão da outra”. A chegada de Noah Além do amor que sentiam, Danielle e Letícia compartilhavam o mesmo sonho de ser mãe. Após quatro anos namorando, em 2021 começaram a imaginar como seria um terceiro membro na relação. “Quando a gente sentou para conversar sobre o nosso filho decidimos que o melhor para nós seria adotar uma criança”, relata a coordenadora acadêmica. [[legacy_image_225692]] Assim, o casal entrou na fila de adoção. A previsão de espera por uma criança que se encaixasse com o perfil e estilo de vida delas era, em média, 6 anos. Ansiosas, em 2022 decidiram viajar e curtir as férias de janeiro enquanto esperavam na fila.“Quando chegamos em casa o telefone tocou. Era a minha psicóloga que acompanhava meu caso junto com a assistente social. A minha perna tremeu na hora. Ela falou que tinha uma criança com o perfil compatível ao nosso. Eu só conseguia pensar: ‘onde ele está que eu vou até ele agora’”, diz Danielle ao explicar que seis anos viraram 3 meses. Noah estava com dezoito dias de vida quando conheceu suas mães Danielle e Letícia. “Assim que entrei naquela neonatal, eu senti o cheirinho dele e disse: ‘suas mamães chegaram, filho. Agora você vai para casa.’ E quando eu olhei pro lado, todas as enfermeiras estavam chorando”. Praia do Tombo Após a chegada do Noah, para unir a família com chave de ouro, elas decidiram casar no pequeno refúgio delas: a Praia do Tombo, em Guarujá. “A gente sempre descia para o litoral e íamos para Guarujá. Sempre falamos que iríamos nos casar na praia, porque quando nossas vidas estavam um caos era para lá que dávamos uma escapada para ficar perto do mar”, admite Danielle. [[legacy_image_225693]] Assim, o local que as então namoradas iam para reconectar as energias se tornou um altar, em um casamento para 90 convidados. Com apenas 10 meses, Noah foi o pajem e entrou com as alianças. “Tinha que ser ele. O Noah uniu eu e a Letícia mais ainda, ele fortaleceu o nosso vínculo, ele dá força para gente lutar todos os dias e ensinar que a diversidade existe”.