[[legacy_image_247092]] Com buscas suspensas pela Marinha do Brasil, completa nesta quarta-feira (15) um mês do desaparecimento do velejador Edison Gloeden, de 66 anos, conhecido como Alemão. A vítima saiu com o veleiro Sufoco III de Guarujá, litoral de São Paulo, no dia 15 de janeiro e nunca mais foi visto por seus amigos e família. Apesar do cenário desanimador, a mulher dele mantém a esperança de encontrá-lo com vida. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A aposentada Maria de Fatima Calaça Alves, de 65 anos, corre contra o tempo e recursos para encontrar seu marido ainda com vida. A mulher acredita que tudo indica que o veleiro tenha ido em direção à região sul do País. “O sentimento que prevalece ainda é a esperança, mas é desesperador. Um vazio que parece que vai explodir no meu peito, é muita estranha essa sensação. É uma perda que está viva”. Ela explica que no início não tinha condições de falar sobre o caso. "Não conseguia aceitar que um barco, de repente, desaparecesse. A Marinha começou a dar assistência e fazer as buscas, mas sempre dois passos atrás. É como se você tivesse um óleo essencial nas mãos e começasse a escorrer pelos dedos”, explica. O velejador saiu com o veleiro Sufoco III da sede náutica do Clube Internacional de Regatas, em Guarujá, e desapareceu. Sua saída tinha como objetivo testar o piloto automático do barco na Baía de Santos. “Ele era uma pessoa muito hábil. Mil possibilidades aparecem na minha mente de encontrar ele vivo ainda. Faz 30 dias, é um espaço longo, mas ele tinha comida para dez dias e tinha água, podendo racionar. Não acabou, fez apenas um mês”, afirma. A Marinha do Brasil suspendeu as buscas no dia 31 de janeiro, dias após o Corpo de Bombeiros também realizar a suspensão, no dia 24. Para a esposa da vítima, a decisão da Marinha foi precoce e demonstra uma negligência da autoridade marítima. “É difícil para mim perceber e separar isso (essa negligência). Durante o dia o meu humor altera muito. Às vezes estou mais tranquila, outras horas fico mais ansiosa e em alguns momentos sinto a presença dele comigo. Penso se será que ele está precisando de algo? Acabou a comida? Acabou a água? Ou teve uma situação que ele não soube lidar?”, questiona. As dúvidas na mente de Maria de Fátima são constantes desde o dia 15 de janeiro, o domingo em que seu marido saiu e nunca mais voltou. “Tem pessoas da Marinha que falam comigo até hoje e eu falo que não preciso de apoio emocional, mas sim técnico e profissional. Não está na hora ainda de eu receber esse tipo de apoio”. “Não tem nenhum corpo, por isso eu fico indignada e ansiosa para saber o que aconteceu, mas as autoridades não fazem nada e ainda suspendem a busca com a justificativa de que é o protocolo. Nós somos apenas números”, comenta. BuscasA esposa da vítima diz que continua lutando pela retomada das buscas por parte da Marinha do Brasil e a adição de uma aeronave apelidada de Poseidon para auxiliar a varredura pelo mar. “(A aeronave) É utilizada pelo Ibama por ter tecnologia de ponta e fazer trabalhos com plataformas de petróleo. Preciso dela por fazer uma varredura mais fina e sensível do que outros aviões”, cita. A indignação de Maria de Fátima é constante. A mulher cita que acreditava que a Marinha do Brasil estava sempre há dez passos atrás do barco e essa sensação sempre trouxe um ar de desespero. “Acho um absurdo isso. Podem ser passar um mês, dois meses. Estou inconformada com a morosidade e a falta de responsabilidade dos órgãos que falam apenas em seguir protocolos. Temos 8 mil quilômetros de costa marítima, o mar não tem começo, meio e fim. As correntes não são planejadas”, conclui. A Tribuna procurou a Marinha do Brasil com os questionamentos levantados pela mulher da vítima e a possibilidade da aeronave atuar na busca pelo velejador, porém não houve retorno por parte da autoridade marítima.