[[legacy_image_117633]] A motogirl Josimary de França, de 29 anos, registrou um boletim de ocorrência alegando ter sido agredida por um cliente durante uma entrega realizada nesta semana em Pitangueiras, em Guarujá. Em entrevista para A Tribuna, ela contou ter sido xingada com palavrões por um homem que recebeu o pedido. Segundo Josimary, o cliente ainda jogou a máquina de cartão no peito dela, depois de colocar a senha para o pagamento. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Segundo o relato da vítima, o caso ocorreu em frente a um edifício na Rua Sílvia Valadão Azevedo, em frente à praia, no fim da tarde de terça-feira (26). "Fui fazer uma entrega e o pedido estava em nome de uma mulher. O porteiro questionou se eu podia subir. Mas, para não deixar a moto em local proibido, pedi para que a pessoa descesse". Quem desceu foi um homem com cerca de 60 anos e aí começou a dor de cabeça da motogirl. "Ele foi na portaria e já me perguntou: 'você manda ou obedece?'. Até brinquei com ele e respondi que 'manda quem pode, obedece quem tem juízo'. Achei que era uma piada. Mas aí ele disse 'quem manda sou eu' e entendi que não era brincadeira". Josimary relata que foi xingada pelo cliente com palavrões. "Ele começou a me xingar e a me ofender de uma forma que nunca fui antes. Me chamou de coisas pesadas. Peguei a maquininha para ele pagar e, enquanto ele colocava senha, continuou me xingando". No final do atendimento, ela afirma que o homem ainda "jogou a maquininha de cartão no peito" dela. "Falei que chamaria a polícia e ele disse que eu podia chamar, deu as costas e subiu". [[legacy_image_117624]] Atendimento e dificuldadesJosimary conta que, quando a equipe da Polícia Militar chegou ao local, ela mal conseguia falar. "Um rapaz que estava perto e viu tudo contou o que ocorreu". Segundo ela, os policiais não fizeram registro nem tentaram identificar o homem, que já havia ido para o apartamento, mas a orientaram a procurar a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Guarujá, onde a motogirl registrou o caso. No boletim de ocorrência, consta o crime de lesão corporal. Dificuldades e uniãoTrabalhando há dois anos como motogirl, desde que perdeu o emprego como faxineira, ela conta ter ficado abalada psicologicamente com o caso. "Nunca passei por isso. Trabalho 12 horas por dia para levar os pedidos quentinhos aos clientes. O mínimo que espero é um 'boa tarde'. Nunca fui grossa com ninguém, sempre fui elogiada. Ele tem que pagar pelo que fez. Mexeu com o meu psicológico". Após o ocorrido, colegas de profissão de Josimary se uniram para protestar em frente ao edifício onde o caso aconteceu. "Fizemos protesto em frente à DDM e fomos na PM". Ela conta que também recebeu apoio do gerente da empresa onde trabalha. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) disse ter orientado a vítima quanto ao prazo de seis meses para representação criminal. A Tribuna não localizou o cliente que participou do episódio. A Reportagem também aguarda retorno da Polícia Militar sobre a conduta dos agentes que participaram do atendimento à vítima.