Louça suja e acumulada é um dos transtornos; garrafas plásticas é estratégia para guardar água, quando chega (Reprodução) O que já era um problema frequente passou a fazer parte da rotina diária de moradores de Vicente de Carvalho, em Guarujá. Em bairros do distrito, o abastecimento de água tem sido interrompido ou chega com pressão tão baixa que nem sequer se consegue encher as caixas d’água das residências. Enquanto improvisam para enfrentar a situação, moradores cobram uma solução definitiva da Sabesp. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No Jardim Cunhambebe, a gerente Karla Braga Prata, de 44 anos, convive com uma tia idosa, de 77 anos, diagnosticada com esquizofrenia, e a filha de 3 anos. Ela conta que desde a última sexta-feira não consegue completar a caixa d’água da casa. Quando a água aparece, a pressão é insuficiente. “Faz uma semana que a gente está tomando banho de caneca, porque a água não sobe. Se já é complicado para ela (a tia) tomar banho com água da torneira, imagine de balde. Eu tenho uma filha de 3 anos. Estou desde sexta-feira sem poder lavar roupa. É um descaso total. Só que a conta está vindo e, se você não paga, eles cortam”, desabafa Karla. Segundo ela, o problema já existia, mas piorou nos últimos anos. “Falam que é porque não está chovendo. Mesmo quando chove, a água para e, quando volta, às vezes volta meio barrenta. Aí, você tem que esperar um pouco para poder usar.” A autônoma Líbia Saavedra, de 45 anos, do Pae Cará, conta que chegou a contrair a bactéria H. pylori — que pode causar gastrite ou úlcera — e ouviu do gastroenterologista que a provável causa é a má qualidade da água. “Uma grande quantidade de pessoas hoje, na Baixada, está tendo esse problema. Era uma doença de que a gente quase não ouvia falar”. Ela também está sem água em casa. Também do Pae Cará, a aposentada Sônia Ferreira, de 66 anos, diz que passou dias sem abastecimento e precisou comprar um reservatório de 100 litros para armazenar água. “Meu filho chega do trabalho e não tem água para tomar banho. A conta já está aqui na mão para pagar no mês que vem. Você continua pagando e mesmo assim não recebe o serviço.” As moradoras também reclamam da dificuldade para obter informações da Sabesp. “Colocam a gente para falar com um robô, e ninguém resolve nada”, reclama Karla. Sabesp responde Em nota, a Sabesp afirma tomar medidas para “reduzir os impactos da baixa vazão do manancial que abastece o Município de Guarujá e o Distrito de Vicente de Carvalho, situação agravada pelo atual período de estiagem. (...) Como medida emergencial, 12 caminhões-pipa estão atendendo os imóveis da região”. Técnicos verificarão o relato de problemas na qualidade da água, para análise em laboratório. Para emergências: 0800-055-0195.