Caso aconteceu no último dia 10, por volta das 13 horas, em Vicente de Carvalho (Arquivo pessoal) O médico Luann Gleysson Aguiar Ferreira afirma que não negou atendimento a Sebastian Cristian dos Santos, de 4 anos, no Pronto Socorro São João, em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá, no Litoral de São Paulo. O caso, que acabou gerando tumulto, ocorreu no último 10, por volta das 13 horas. O profissional, que está afastado de suas funções, diz que apenas respeitou a ordem das senhas, dando preferência à criança que estava na frente e usava pulseirinha da mesma cor da de Sebastian, que era verde e não indicava urgência. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em nota enviada por meio da advogada Ivaneide Daumichen, Luann Ferreira nega a versão dos fatos relatada pela mãe do garoto, a promotora de eventos Tuany Guilherme dos Santos, a qual relatou o ocorrido para A Tribuna em reportagem publicada na última quinta-feira (13). “Inicialmente, o médico Dr. Luann não se negou a atender o paciente, apenas informou que a senha chamada era de outro paciente, também criança, que já aguardava na fila, com a mesma classificação de risco do Sebastian (verde: prioridade 2 – configura não urgência), portanto, ele seria o próximo a ser atendido, momento em que duas senhoras que acompanhavam a criança começaram a ofender o médico, agredindo-o verbalmente, de forma extremamente agressiva e se recusaram a sair do consultório”, descreve a advogada no comunicado. A defesa de Luann Ferreira acrescenta que o outro paciente, por ordem de senha, já “estava na porta para entrar”. Então, o médico decidiu “interpelar a enfermeira que fez a triagem para entender se o caso (de Sebastian) seria, de fato, emergência. Obtendo a resposta de que não era caso de emergência, inclusive, se pode ver na reportagem, no braço da criança, a pulseirinha de cor verde. Nesse momento, passaram a gravar e outras pessoas que estavam no local também, começaram a xingar e a apontar o dedo para o Dr. Luann, provocando um grande tumulto”. Ivaneide Daumichen continua: “Já temendo pela sua integridade física, devido ao número de pessoas ali comovidas, que passaram a xingar, agredir verbalmente e a ofender a sua moral e honra, o Dr. Luann se reservou ao direito médico de invocar a quebra de confiança médico-paciente, solicitando, assim, que o seu colega, também médico, que estava de plantão, fosse acionado a atender o paciente Sebastian. Porém, o outro médico não foi localizado e o Dr. Luann continuou a atender outros pacientes. Entretanto, as agressões continuaram se intensificando violentamente, com ameaças, palavrões e xingamentos por parte das duas senhoras que acompanhavam o Sebastian”. A advogada do profissional comunica ainda que a mãe do garoto chegou após 20 minutos e “invadiu o consultório médico”, solicitando “atendimento imediato”. Logo após, policiais chegaram ao local e os ânimos se acalmaram. “O Dr. Luann, que antes estava se sentindo coagido e ameaçado, temendo por sua própria segurança, concordou em atender o paciente Sebastian, prescrevendo exames e medicação, o que se deu em menos de 50 minutos, sendo que o tempo classificado pela escala de prioridade do paciente era de até 120 minutos, no caso, prioridade verde”. Pulseira amarela Tuany dos Santos afirma que o filho foi levado ao PS São João pela madrinha, que chegou ao posto acompanhada da mãe, e que Sebastian recebeu uma pulseira verde por erro de uma enfermeira. “Eles deram entrada às 13h13, no PS São João. E, por negligência da enfermeira, ela colocou a pulseirinha verde que seria não emergência. Só que o meu filho continuou passando muito mal, vomitando e reclamando de dor. A madrinha do meu filho e a mãe dela se desesperaram porque tem uns vídeos onde eu mostro meu filho gritando e reclamando de dor. E elas pedem para a enfermeira se teria como passar o meu filho na frente”, relata Tuany. A mãe de Sebastian prossegue: “A enfermeira falou que errou na pulseirinha, que colocariam a pulseira da cor amarela, de urgência, e arrumaria no sistema. Até aí tudo bem. Então, a enfermeira pediu para elas passarem na frente e elas foram. Chegando na frente do consultório, tinha uma mãe com a sua filha passando mal, com febre, mas ela simplesmente liberou para elas passarem na frente por ele estar morrendo de dor, chorando e gritando. O médico chamou o próximo e elas entraram, foi quando ele perguntou qual era o número da senha delas, que era 059 e ele estava no 057. Aí, ele falou que não iria atender porque elas tinham que esperar”. Prefeitura de Guarujá A Reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Guarujá solicitando esclarecimento sobre a troca das pulseirinhas verde e amarela e as respectivas classificações de prioridade. Em nota, foi informado que “a Secretaria de Saúde (Sesau) de Guarujá reforça que o paciente recebeu todo o atendimento necessário na unidade. Sobre o médico, a Sesau segue apurando a conduta do profissional. Todos os pacientes passam por uma classificação de risco, onde é definida a priorização do atendimento na ordem de amarelo, verde e azul. No entanto, caso um paciente piore enquanto aguarda atendimento médico, o enfermeiro da classificação reavalia a situação e o acompanha, direcionando-o, se necessário, para ser atendido com prioridade pelo médico”.