O crime foi flagrado por câmeras de segurança do hospital em Guarujá (Reprodução/ Guarujá Mil Grau) Quatro anos depois de um crime que chamou atenção pela ousadia, a Justiça condenou os três acusados pela execução de um paciente dentro do Hospital Santo Amaro, em Guarujá, no litoral de São Paulo. Entre eles está o médico ortopedista Alexandre Pedroso Ribeiro, de 58 anos, apontado durante a investigação como a pessoa que teria facilitado a entrada dos assassinos na unidade de saúde da Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O julgamento terminou na noite de quarta-feira (9). Alexandre foi condenado a 20 anos e cinco meses de prisão. Os outros dois réus, apontados como os homens que entraram no hospital para matar a vítima, receberam penas maiores: Sandro Vieira Conceição foi condenado a 22 anos, quatro meses e 24 dias, enquanto Vitor Hugo Assunção pegou 23 anos e quatro meses. Todos deverão iniciar o cumprimento das penas em regime fechado. O crime aconteceu em 24 de abril de 2022. Gilianderson dos Santos, de 37 anos, estava internado depois de sobreviver a um atentado ocorrido dois dias antes. Mesmo dentro do hospital, porém, ele voltou a ser alvo dos criminosos. Naquele domingo, dois homens usando capacetes entraram na unidade de saúde, foram até onde Gilianderson estava e abriram fogo. A vítima, que estava em uma cadeira de rodas, morreu no local. A forma como os assassinos chegaram até o paciente e deixaram o hospital passou a ser um dos principais pontos da investigação. Foi nesse caminho que o nome de Alexandre apareceu. O médico entra na investigação Alexandre trabalhava no Hospital Santo Amaro e, inicialmente, não figurava como um dos executores. A suspeita da Polícia Civil era outra: a de que ele teria ajudado a criar as condições para que o assassinato fosse cometido. As câmeras de segurança tiveram papel importante nessa apuração. Segundo informações divulgadas durante a investigação, imagens mostraram movimentações do ortopedista antes da chegada dos dois homens. A polícia também apurou que o médico teria insistido para que Gilianderson recebesse alta, apesar de o paciente ainda passar por atendimento após ter sido baleado. Outro elemento analisado pelos investigadores foram contatos telefônicos feitos antes da execução. Uma das ligações teria sido realizada para um número registrado em nome da mulher de Sandro, um dos homens posteriormente apontados como participante direto do crime. Ligação com o 'tribunal do crime' do PCC A investigação avançou e chegou à suspeita de que o assassinato teria relação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Sandro era apontado pela Polícia Civil como integrante da chamada "disciplina" da facção na Baixada Santista, setor associado ao cumprimento de punições determinadas pelo chamado "tribunal do crime". A apuração policial indicou ainda que Gilianderson teria sido condenado à morte por esse tribunal clandestino. O primeiro atentado não conseguiu matá-lo. A execução dentro do hospital teria sido, segundo essa linha de investigação, a conclusão da ordem. Júri condena os três O caso levou Alexandre, Sandro e Vitor Hugo ao Tribunal do Júri. Ao final do julgamento, os jurados consideraram os três culpados. A sentença mostra que as condenações foram por homicídio qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, além de participação em organização criminosa. As penas foram diferentes para cada acusado. Alexandre recebeu 20 anos e cinco meses de reclusão e 14 dias-multa. Sandro foi condenado a 22 anos, quatro meses e 24 dias, além de 12 dias-multa. Já Vitor Hugo recebeu a maior pena: 23 anos e quatro meses de prisão e 16 dias-multa. Os três deverão cumprir inicialmente as penas em regime fechado. Outros processos Alexandre já havia aparecido em outras investigações policiais. Em 2024, o ortopedista foi condenado em primeira instância a oito anos e nove meses de prisão por tráfico de drogas em um processo envolvendo a apreensão de mais de 60 quilos de cocaína em uma casa no Jardim Acapulco, também em Guarujá. A defesa negou que os entorpecentes pertencessem ao médico. No processo relacionado à execução no hospital, Alexandre também passou períodos preso e chegou a obter liberdade durante a tramitação da ação. Agora, mais de quatro anos depois de dois homens atravessarem as portas de um hospital para terminar um crime que havia começado dias antes, o júri considerou culpados tanto os apontados como executores quanto o médico acusado de colaborar com o assassinato. A Tribuna tentou contato com as defesas de Alexandre Pedroso Ribeiro, Sandro Vieira Conceição e Vitor Hugo Assunção. O espaço permanece aberto para manifestações.