Unaerp em Guarujá não teria oferecido apoio pedagógico adequado a estudante de Educação Física com deficiência, diz mãe (Rogério Soares/ AT/ Arquivo) Um estudante de Educação Física de 31 anos se viu privado de levar adiante o curso superior sonhado por ele desde a infância. O motivo: uma desistência forçada, segundo familiares, pelo fato de uma instituição de ensino de Guarujá, no litoral de São Paulo, não oferecer condições adequadas para que ele possa acompanhar os conteúdos, já que o universitário é deficiente auditivo e tem paralisia cerebral. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Ele prestou vestibular, foi aprovado e ingressou na faculdade. Mas, quando começou a cursar, teve início uma grande luta. Mesmo pagando a mensalidade com dificuldade, era como se precisássemos implorar para que ele pudesse permanecer ali com o suporte necessário. Passamos por diversas situações difíceis, com muitas cobranças e nenhum recurso adequado”, diz a mãe do rapaz, uma intérprete de libras de 49 anos, que mora em Guarujá, na Baixada Santista, e pediu para ter a identidade preservada. Segundo ela, o material adaptado era de extrema importância para um aluno atípico, mas nunca houve retorno. “Cansei de pedir ajuda, já que meu filho não tinha o suporte necessário, solicitei ao menos que ele fosse avaliado de outra forma. Ainda assim, exigiam que ele fizesse provas iguais às dos demais alunos — o que não é adequado. Estamos em 2026: inclusão não é novidade, ainda mais em uma universidade, que dispõe de recursos para isso, se houver vontade de utilizá-los. Eu estava presente, dando todo o apoio possível, mas, mesmo assim, não havia retorno”, acrescenta. A mãe conta ainda que a intérprete também não demonstrava empatia com o filho. A pressão foi tão grande que ele chegava em casa triste. “Subestimaram meu filho, dizendo que ele não conseguiria, mas não ofereceram os recursos pedagógicos acessíveis, nem material didático adaptado. Por conta disso, vieram as consequências: ele desenvolveu depressão. Cortaram o sonho do meu filho sem nenhuma empatia ou amor ao próximo”, lamenta a mãe. Outro lado Em nota, a Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) diz que “reafirma seu compromisso com a inclusão, acessibilidade e acolhimento de seus estudantes, em conformidade com a legislação vigente e as diretrizes do Ensino Superior. No caso mencionado, desde o ingresso houve a oferta de acompanhamento institucional e recursos de acessibilidade, incluindo intérprete de Libras, apoio em avaliações com tempo adicional, ledor, transcritor e realização de atividades em condições adaptadas”. A Unaerp pontua que, “ao longo da trajetória acadêmica, foram realizados acompanhamentos contínuos por meio da coordenação de curso e do Serviço de Apoio Psicopedagógico, além de reuniões com o objetivo de compreender necessidades e promover as melhores condições para o desenvolvimento acadêmico. Como parte das ações de apoio e permanência estudantil, a Instituição também viabilizou condições diferenciadas, como forma de ampliar o suporte acadêmico”. A instituição de ensino acrescenta que, “no âmbito pedagógico, foram adotadas estratégias avaliativas e acadêmicas compatíveis com o Ensino Superior, sempre respeitando critérios institucionais e especificidades estudantis”. A Unaerp complementa a nota afirmando que, “em respeito à privacidade dos envolvidos, a Instituição não comenta aspectos individuais adicionais, permanecendo à disposição para esclarecimentos institucionais”.