O salão de beleza, localizado no bairro Paecará, em Guarujá, foi um grande projeto de vida de Brenda (Arquivo pessoal/ Redes sociais) A cabeleireira Elisangela da Silva decidiu fechar o salão de beleza onde sua filha, a empresária Brenda Bulhões, trabalhava e foi brutalmente executada a tiros no final de novembro de 2024. O salão, localizado no bairro Paecará, em Guarujá, no litoral de São Paulo, tinha Brenda como a principal responsável, enquanto sua mãe cuidava da casa e da neta, Maitê. Depois do assassinato da filha, Elisangela teve que mudar os papéis e assumir a liderança do estabelecimento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para A Tribuna, a mãe de Brenda contou que, após o crime, tentou manter o negócio aberto por quase dois anos, para continuar com o sonho da filha e sustentar a família, principalmente Maitê, que hoje tem 11 anos. "A princípio, eu voltei a trabalhar dias depois que minha filha foi morta. Mal conseguia abrir aquela porta cheia de placas de luto. A cada cabelo que eu fazia, me sentia tão mal que deitava no chão, parecia que eu ia morrer junto ali. Tentei manter o salão para sustentar minha neta, mas ele estava cada vez mais vazio. Ali, era o canto dela, dentro daquele espaço fui muito feliz com a Brenda, mas entendi que aquele tempo terminou", desabafa Elisangela. Dificuldades financeiras Além do sofrimento psicológico ao trabalhar no local do crime, Elisangela ressalta que entre os motivos para fechar o negócio estão a perda de clientes e tentativas frustradas de parcerias com manicures e cabeleireiros para manter o salão funcionando. Segundo a mãe, a decisão de entregar o imóvel veio após tentar alugar o espaço para uma profissional que não cumpriu com o combinado e a ofendeu ao ser cobrada. "As pessoas foram indo embora e, quando eu olhava aquilo vazio, não conseguia mais. Coloquei pessoas para trabalhar, mas não vinham ou não queriam pagar. A gota d'água foi quando aluguei para uma pessoa que não apareceu e, quando cobrei o aluguel, ela me chamou de oportunista. Isso me feriu tanto, porque nunca fui isso na minha vida. Para não me embolar em dívidas e sair devedora, preferi fechar", relata. A cabeleireira, que atua na área há 27 anos, estuda agora alternativas para dar continuidade à sua carreira em outro ponto comercial, em sua própria residência ou prestando serviços externos, e conciliar o trabalho com os cuidados da neta. Relembre o caso O crime ocorreu na manhã de 29 de novembro de 2024, na Rua Pará, no bairro Paecará, em Vicente de Carvalho. Câmeras de monitoramento registraram o momento em que Brenda estacionou sua motocicleta na calçada, em frente à porta do salão de beleza. Logo após, um homem usando capacete se aproximou a pé, sacou uma arma de fogo e atirou à queima-roupa na empresária. A ação criminosa foi rápida, durando menos de um minuto, e o atirador fugiu imediatamente após os tiros. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas e realizaram manobras de reanimação cardiopulmonar ainda na rua, mas a empresária não resistiu à gravidade dos ferimentos e teve o óbito constatado no local. O caso segue sob investigação das autoridades policiais de Guarujá. O maior suspeito do crime foi preso dois meses depois na fronteira do Brasil com o Paraguai, identificado como Bruno dos Santos Campos, ex-companheiro de Brenda.