[[legacy_image_151001]] Uma rotina surreal e cansativa, mas que terminou em alívio e alegria. É dessa forma que a jovem Beatriz Vieira da Silva Andrade, de 19 anos, define o dia a dia de estudos em 2021, após ser aprovada na Universidade de São Paulo (USP) para cursar Sistemas de Informação. Ao longo do ano, a moradora do distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, no litoral de São Paulo, se dividiu entre o ensino médio junto ao técnico, o trabalho e o cursinho preparatório. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O interesse pela área surgiu desde os 12 anos e fez Beatriz cursar o Ensino Médio junto ao curso técnico de informática pelo Instituto Federal de São Paulo (IFSP), em Cubatão. Em paralelo, a moradora de Guarujá divida o tempo com o trabalho de desenvolvedora web e o cursinho preparatório para o vestibular. Ela estima ter estudado, em média, cerca de 7h por dia, levando em conta apenas o período do cursinho e o tempo gasto com exercícios e revisões. "Fiquei em uma rotina muito cansativa. É surreal. Meus pais sabem o quanto me machucava ficar nessa rotina. O cursinho era das 19h às 22h. Eu jantava e estudava até umas 2h. Não adianta só fazer as aulas. Você tem que revisar, fazer exercícios. No final de semana, eu ficava o dia inteiro fazendo revisão e estudando, porque era o 'tempo livre' que eu tinha pra fazer isso. Todos os finais de semana eram estudando, além de fazer simulados, que eram presenciais", conta a estudante, em conversa com A Tribuna. Todo o esforço surtiu no resultado esperado. Além da USP, a jovem também foi aprovada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), vestibular o qual realizou pela primeira vez. Antes, Beatriz já havia participado, como treineira, do vestibular da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), porta de entrada para a USP. Ela também prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em três oportunidades. A decisão pela USP já havia acontecido antes mesmo da participação nos vestibulares. Depois de um ano intenso de estudos, ela não esconde a sensação de alívio com a aprovação. "Pode ser exagero, mas eu não conseguia dormir desde março. Eu não consegui ter momentos de lazer sem pesar a consciência, não ficava um dia (sem) fazer questões. O peso do vestibulando é surreal. Eu não pensei que fosse assim. Eu entrei no portão pra fazer a prova lendo o meu resumo. Eu não conseguia parar", recorda. [[legacy_image_151002]] PsicológicoRealizar o sonho não exigiu somente estudos intensos de Beatriz, mas também forças para lidar com sentimentos ao longo da jornada. A jovem do litoral de São Paulo relata que precisou lidar com ansiedade, medo de falhar e choros constantes. "É uma pressão gigante. Muitas vezes tem aquele papo de 'ah, mas você só estuda'. Eu acho isso terrível pra se dizer pra alguém que está estudando. E eu nem estava só estudando, ainda trabalhava. Paguei todo o meu cursinho. Agora é só um alívio", comemora. Nova fase Com a aprovação na USP, Beatriz prepara as malas para São Carlos, no interior de São Paulo. O curso tem duração de 4 anos e acontece no período noturno. O início das aulas está marcado para 14 de março. "Vou continuar trabalhando. O curso é só no período da noite, então está tranquilo", afirma Beatriz, que permanecerá trabalhando de forma remota. [[legacy_image_151003]]