José Luis da Costa Oliveira, de 25 anos, desapareceu em 8 de outubro, após cair em um golpe na venda do próprio carro (Arquivo pessoal / Reprodução) O analista de sistemas José Luis da Costa Oliveira, de 25 anos, desaparecido desde 8 de outubro após ser vítima de um golpe envolvendo a venda do próprio carro, foi visto pela última vez na Praia das Astúrias, em Guarujá, no litoral de São Paulo. Segundo a advogada Bianca Santiago, que acompanha o caso, o jovem foi deixado por um motorista de aplicativo em frente ao Condomínio Flamboyant, mas as imagens das câmeras de segurança do edifício foram perdidas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! José morava no bairro Bela Vista, na Capital, e viajou à Baixada Santista após descobrir que havia sido enganado por um falso intermediador durante a negociação do veículo. Abalado emocionalmente, ele passou por Santos antes de seguir para Guarujá, onde seu paradeiro permanece desconhecido. Em entrevista para A Tribuna, Bianca informou que as investigações ainda não trouxeram respostas conclusivas sobre o desaparecimento. Entre os últimos avanços da apuração estão a obtenção de imagens do jovem no Estiva Club, em Santos, e o contato com o motorista que o levou até a Praia das Astúrias. Uma das principais dificuldades, porém, é a ausência de imagens do condomínio em frente ao qual José foi deixado. De acordo com Bianca, os registros são armazenados por apenas sete dias e foram solicitados depois desse prazo. “As imagens foram perdidas, pois só ficam guardadas por sete dias e a requisição foi posterior a esse prazo”, explicou. A advogada também informou que amigos realizaram buscas pela região, mas não conseguiram localizar o analista de sistemas. Até o momento, segundo Bianca, não houve buscas oficiais feitas por equipes de resgate na praia ou no mar. Acesso à conta bancária intriga defesa Outro ponto considerado importante para esclarecer o desaparecimento envolve a conta bancária de José. Segundo as advogadas que acompanham o caso, houve registros de acesso à conta por outro dispositivo no dia 9 de outubro, um dia depois de ele desaparecer. A defesa solicitou a quebra do sigilo bancário do jovem para verificar eventuais movimentações, transferências ou saques que possam ajudar a esclarecer o que aconteceu. Entretanto, segundo Bianca, o pedido ainda não havia sido autorizado e aguardava análise da autoridade policial. “Ainda não temos a autorização e o delegado, a princípio, nem analisou a manifestação da defesa”, afirmou. Além dos dados bancários de José, as advogadas solicitaram informações sobre a conta que recebeu o dinheiro do golpe, registros de antenas de telefonia celular e dados de acesso a serviços digitais. Também foram pedidos ofícios às operadoras para verificar se o analista adquiriu outro número de telefone e ao Google e WhatsApp para obter registros que possam contribuir para a localização dele. Bianca considera a análise bancária uma das diligências mais importantes neste momento. Na avaliação da advogada, eventuais movimentações poderiam fornecer novas pistas sobre o paradeiro do jovem, embora não comprovassem, isoladamente, que ele próprio utilizou a conta. Golpe de R\$ 24 mil antecedeu desaparecimento O desaparecimento aconteceu após José cair em um golpe durante a venda de seu carro, anunciado nas redes sociais. Segundo Bianca, um homem entrou em contato com o jovem e se ofereceu para intermediar a negociação. A compradora depositou R\$ 24 mil na conta indicada pelo suposto intermediador, acreditando que o pagamento seria repassado ao proprietário. José, por sua vez, entregou o veículo sem receber o dinheiro. Dessa forma, ambos foram vítimas da fraude. O jovem chegou a gravar um vídeo chorando e relatando o ocorrido. Nas imagens, ele demonstrava estar profundamente abalado, mas afirmava que a compradora não tinha responsabilidade pelo golpe. Segundo a advogada, o carro permanece com a compradora. A transferência de propriedade, entretanto, não foi concluída efetivamente devido a um bloqueio no veículo. A mulher chegou a registrar um boletim de ocorrência no 46º Distrito Policial, em Perus, na Capital. A defesa informou que já identificou a pessoa que recebeu os R\$ 24 mil, mas ainda não dispõe de elementos suficientes para confirmar a identidade do responsável pela fraude. Apesar da sequência dos acontecimentos, Bianca acredita que, até o momento, a principal relação entre o golpe e o desaparecimento seja o abalo emocional sofrido pelo analista. Família acompanha caso a distância Natural do Pará, José se mudou para São Paulo em novembro de 2025, por motivos profissionais. Segundo Bianca, ele já conhecia a Baixada Santista, pois a empresa para a qual trabalha possui um escritório na região, onde o jovem havia comparecido algumas vezes. Os familiares permanecem no Pará e acompanham as investigações. De acordo com a advogada, as dificuldades financeiras e a distância impediram que eles viajassem até São Paulo para participar das buscas. O caso é investigado pela Delegacia de Pessoas Desaparecidas do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio do 46º Distrito Policial, em Perus. Em manifestação anterior, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que diligências estavam em andamento para localizar José e esclarecer os fatos. A defesa e os familiares pedem que qualquer pessoa que tenha informações sobre o paradeiro do analista entre em contato. Os telefones disponibilizados são (11) 96364-2442, do escritório de advocacia, e (93) 99247-7694, de um amigo próximo do jovem. “O José não é só mais um caso. É um filho, um irmão, um amigo, e a atenção das pessoas ao caso pode trazê-lo de volta para casa”, afirmou Bianca, ao transmitir o apelo da família. A advogada também deixa um recado diretamente ao desaparecido: “Se o José estiver vendo isso, que saiba que queremos muito que ele volte para casa, que ele é muito amado por todos”.