Empresa City é a responsável pelo transporte público em Guarujá (Alexsander Ferraz/AT) Após sofrer intervenção da Prefeitura de Guarujá, a empresa City, responsável pelo transporte público no Município, informou neste sábado (29) que “avalia as medidas cabíveis para resguardar seus direitos e de seus colaboradores, bem como a garantia do cumprimento do contrato vigente”. A concessionária destacou, ainda, que o trabalho “sempre foi feito com lisura e com a prestação de um serviço que prima pela qualidade e o respeito à população”. A empresa informou que avalia, no âmbito jurídico, quais medidas tomará e que “já tem constatada que não são verdadeiras as razões da intervenção trazidas no decreto”. A intervenção assinada pelo prefeito Farid Madi (Pode) sexta-feira aponta diversos problemas na gestão da City, como a “dificuldade na obtenção de dados para aferição do cumprimento das obrigações da empresa”. Cita também “graves problemas, como questões de controle de gastos, compras, contratos e recursos humanos, retirada de câmeras e validadores de passagens, violação de lacres em catracas, redução na operação da frota e desligamento de aparelhos de GPS, que servem para indicar o trajeto dos coletivos”. “É uma medida dura de ser tomada, porém necessária. É sabida a dificuldade financeira que o Município se encontra, e a gente não se pode dar ao luxo de desperdiçar recursos”, disse o prefeito, neste sábado, para A Tribuna. A escolha de Renato Paulo Nicolaci Fincatti como interventor da City foi em razão da “experiência administrativa” dele. Até agora secretário municipal de Saúde, ele foi exonerado temporariamente dessa função, mas continua como secretário-adjunto de Meio Ambiente de Guarujá. Questionamentos Segundo Farid, apenas no ano passado, foram pagos pela Prefeitura R\$ 85 milhões à City, mas há um débito de R\$ 47 milhões. “A única forma da gente ter o controle de tudo isso é com a intervenção, uma decisão bem pensada”. Em resposta, a City informou que “o pagamento de R\$ 85 milhões é, em grande parte, referente a dívidas antigas provenientes de reajustes não aplicados nos períodos corretos. Já o débito de R\$ 47 milhões tem origem nas notas do ano de 2024 não pagas até o presente momento”. Outro problema apontado pelo prefeito foi o emprego de uma média de passageiros de 2017 para efeito de cálculo. Já a empresa diz que o contrato foi assinado em 2018. “Por conta da pandemia, os cálculos permaneceram inalterados até dezembro de 2024, tendo havido revisão apenas em janeiro deste ano”. Cartão A Prefeitura de Guarujá informou que eventuais problemas nos cartões transporte das linhas municipais não têm relação com o decreto de intervenção publicado na última sexta-feira. Os munícipes que enfrentarem dificuldades podem entrar em contato diretamente com a empresa pelo telefone 0800-420460. Passageiros cobram melhorias Entre a esperança por melhorias e o desconhecimento sobre a intervenção da Prefeitura sobre a City, os usuários do transporte coletivo de Guarujá ouvidos por A Tribuna neste sábado (29) mantinham a rotinas à espera dos coletivos sem maiores problemas. “O serviço (de ônibus) é bom. Durante a semana, tem vários, mas no final de semana é muito ruim”, afirma o ambulante Diego de Jesus Santos, de São Vicente, mas que trabalha em Guarujá. Já o auxiliar de serviços gerais Francisco Pereira Fidélis torce por consequências positivas da ação da Prefeitura. “Se for para ficar melhor, então vai valer a pena”, avalia. “Não há carros suficientes. Sobre a intervenção, é melhor esperar para ver o que acontece”, pontua a auxiliar de serviços gerais Catiane Garcia.