Um comitê de crise acompanhará diariamente o desabastecimento de água em bairros de Guarujá, que tem se agravado nas últimas semanas. É a segunda vez, em dois anos consecutivos, que um gabinete do gênero é criado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em abril do ano passado, a mesma providência foi tomada diante de uma crise hídrica iniciada em fevereiro daquele ano e tinha por objetivo avaliar e ordenar ações para a normalização do serviço. A abertura do novo comitê foi decidida na última terça-feira (4), após uma reunião emergencial convocada pelo prefeito Farid Madi (Pode). Segundo a Prefeitura, durante o encontro, a Sabesp anunciou um plano de ação para amenizar as dificuldades de moradores, que relatam não conseguir realizar tarefas domésticas e higiene pessoal (leia mais abaixo). “Sabemos que são problemas históricos, mas faltou planejamento da Sabesp para evitar esses transtornos. Por isso, criamos um comitê de crise que já tem diretrizes para amenizar o sofrimento da população”, disse Farid, por nota. A Sabesp informou que o problema decorre da estiagem e que trabalha para reduzir os impactos da escassez de chuvas. O volume de água distribuído por caminhões-pipa foi duplicado e se monitoram os reservatórios de forma contínua, de acordo com a companhia. Obras De forma paralela, há obras em andamento. Entre elas, a de uma travessia subaquática entre Santos e Guarujá, a ser concluída em 40 dias, para ampliar o abastecimento do distrito em 500 litros por segundo. A água será conduzida da Estação de Tratamento (ETA) de Cubatão por uma tubulação sob o canal do Porto. A obra começou no ano passado e, segundo a Prefeitura, demora a terminar por causa de “dificuldades geológicas”. Entre as obras concluídas, segundo a empresa, estão uma adutora que conecta o Reservatório R1 aos bairros Jardim Conceiçãozinha e Sítio Conceiçãozinha; a instalação de cerca de 20 quilômetros de redes de reforço nos bairros Jardim Boa Esperança, Itapema e Pae Cará, e a entrega do Reservatório Morrinhos, com capacidade para 10 milhões de litros de água tratada. Em grupo O comitê é composto por membros de Prefeitura, Sabesp, Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado (Arsesp), Unidade Regional de Saneamento Básico 1 (Urae 1) Sudeste e Câmara Municipal. “O objetivo é acompanhar a operação diariamente, definir prioridades, acelerar a tomada de decisão e garantir respostas cada vez mais rápidas às necessidades da população”, disse o diretor-presidente da Sabesp, Carlos Piani. “O comitê de gestão de estiagem coordenará a distribuição emergencial de água, fortalecerá a comunicação com a população, priorizará o atendimento às áreas mais afetadas e aos serviços essenciais e definirá alternativas para atender regiões de difícil acesso”, afirmou a empresa. Participaram do encontro de terça o prefeito, o diretor-presidente da Sabesp, o presidente da Arsesp, Diego Allan Vieira Domingues, e a maioria dos vereadores. Problemas duram meses e se agravam, dizem moradores Moradores do Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, relatam problemas há meses. A dona de casa Bianca Fonseca Santos, de 47 anos, do Jardim Progresso, diz sofrer desde o dia 28. Lavar louça é uma das tarefas difíceis de realizar no cotidiano (Arquivo pessoal) “Aqui em casa, só tem um filete de água, que a gente junta numa caixa para tentar fazer tudo. Hoje (ontem) mesmo, tive que pegar a água que tinha na geladeira para o meu filho lavar o rosto e escovar os dentes para ir à escola, porque não havia água suficiente”. Enquanto falta água, acumulam-se roupas e louças para lavar. “Não tem como fazer as tarefas. Aqui em casa não temos bomba e dependemos da pressão da rede, que não está sendo suficiente para levar água até a caixa d’água. Tenho ouvido de moradores que até quem tem bomba não consegue puxar água.” No Jardim Boa Esperança, a comerciante Michelle das Chagas, de 38 anos, declarou que a água tinha cor escura e cheiro forte na manhã desta quarta-feira (5). “Estávamos sem uma gota de água desde ontem (terça), às 18 horas, e hoje, quando chegou, parecia ter saído de uma vala. (...) Fica impossível tomar banho, escovar os dentes nessas condições, muito menos beber.” A Sabesp informou ter ido ontem ao local e que, “durante a vistoria, a ocorrência não foi constatada. Como medida complementar, um caminhão-pipa foi direcionado ao local para reforçar o abastecimento do imóvel”. De modo geral, a empresa disse monitorar a qualidade da água, com mais de 170 mil análises mensais.