[[legacy_image_187801]] No dia do aniversário da Cidade, o guarujaense renova seu carinho por ela. E não faltam motivos: a Pérola do Atlântico simboliza uma combinação cultural que remonta a sua origem, com as marcas deixadas pelos colonizadores. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em 1534, o rei de Portugal, d. João III, doou a Ilha de Santo Amaro a Pero Lopes de Souza, donatário da capitania na época. A ausência de investimentos ali fez dela um ambiente abandonado — a geografia repleta de morros dificultava a estabilização de colonos no território. Apesar disso, a ilha era de grande importância estratégica, considerando que defendia a entrada do estuário. “Se você olhar o mapa, verá que todos os lados têm fortes”, explica a historiadora Monica Damasceno. Dois exemplos de construções montadas para proteção são a Fortaleza da Barra Grande, erguida em 1584, e o Farol da Ilha da Moela, de 1829. Vila BalneáriaA Companhia Balneária da Ilha de Santo Amaro foi inaugurada em 1892, pela Companhia Prado Chaves. O objetivo era fundar a Vila Balneária de Guarujá. Para isso, um hotel, um cassino, uma igreja e 46 chalés, desmontáveis e construídos em pinho da Geórgia, foram encomendados dos Estados Unidos. Um ano depois, em 2 de setembro de 1893, houve a fundação. A interligação entre o estuário de Santos e o local foi feita por uma estrada de ferro. Um incêndio, em 1897, destruiu o Hotel Cassino La Plage, importante construção da época, reconstruído depois. O Ferry Boat, serviço de travessia marítima entre Santos e Guarujá, data de 1922. A emancipação Em 1926, foi nomeado o primeiro prefeito, Juventino Malheiros, quando Guarujá se transformou em Prefeitura Sanitária. Após cinco anos, houve a integração ao Município de Santos, situação que durou até 1934. Foi naquele ano, exatamente em 30 de junho, que o então governador de São Paulo, Armando Salles de Oliveira, assinou o Decreto 1.525, criando a Estância Balneária de Guarujá. “As pessoas que faziam parte do movimento pela emancipação tinham medo de se expor, por causa da força das famílias paulistas que frequentavam Guarujá. Tanto que faziam as fichas de reunião no tíquete de passagem de trem. Havia a preocupação com o sigilo, porque não queriam que os políticos soubessem dessa movimentação”, explica Monica Damasceno. Santos Dumont Ela lembra, ainda, da relação de Santos Dumont com o Guarujá. Foi na cidade que o Pai da Aviação se suicidou, em 1932, aos 59 anos, desgostoso com o uso de seu invento, o avião. “Ele voltou da Suíça, passou pelo Rio de Janeiro e, depois, chegou a Guarujá. Era figura frequente por aqui. No último dia de vida, ele deu um passeio de charrete. Deu uma boa gorjeta ao charreteiro e falou ‘Eu desgracei o mundo’”, complementa a historiadora.