A partir desta terça-feira (28), 80% da frota de ônibus municipais passa a circular nos horários de pico, e 60% nos demais horários; paralisação parcial acontece até que a City Transportes, concessionária do serviço, pague valores devidos aos trabalhadores (Vanessa Rodrigues/AT) Preocupação e estresse entre passageiros marcaram o primeiro dia de greve no transporte coletivo municipal em Guarujá, nesta terça-feira (28). Foram os relatos feitos para A Tribuna no terminal do Ferry Boat por usuários dos ônibus. Espera-se, nesta quarta, o resultado de uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para se definir o rumo da paralisação, inicialmente por tempo indeterminado (leia adiante). A diarista Amália Domingues Santos, de 50 anos, viaja todo dia nos ônibus municipais da linha 34 para chegar ao trabalho. Ela teme a redução no número de veículos, principalmente nos horários em que sai de casa e volta. “Essa linha tem menos ônibus do que outras linhas. Então, isso é uma preocupação maior”. Nesta terça, disse ter esperado uma hora para pegar condução até o Ferry Boat. A diarista Amália Domingues Santos (à esquerda) contou ter esperado cerca de uma hora pelo ônibus na manhã desta terça-feira (28). Já a auxiliar de enfermagem Rosemary Moura Brito (à direita), afirmou pensar em rotas alternativas para evitar atrasos ao serviço (Vanessa Rodrigues/AT) A auxiliar de enfermagem Rosemary Moura Brito, de 59 anos, o longo tempo de espera pelo ônibus de sua linha a fez pensar em rotas alternativas para chegar ao local onde trabalha. “Já estou esperando há mais de meia hora. Se o ônibus da linha 34 demorar muito, vou ter que pegar o 77. Fico preocupada, essa situação acaba gerando um estresse”, disse. O aposentado José Justino Sobrinho, de 80 anos, afirmou que o tempo de espera pelos coletivos já costuma ser longo, mas que, nesta terça, foi maior. “Esperei quase meia hora para conseguir vir da (Avenida) Adhemar de Barros até o terminal.” O aposentado José Justino Sobrinho (à esquerda) disse ter percebido o aumento no tempo de espera pelos coletivos. O químico Bruno Bittencourt (à direita), por sua vez, afirmou não ter notado diferenças até então, mas revelou estar preocupado com a situação (Vanessa Rodrigues/AT) Sem prazo Por ora, a greve continua por tempo indeterminado, diz o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Santos e Região, José Alberto Torres Simões, o Betinho. Aguarda-se manifestação da City Transporte Urbano Intermodal Ltda., concessionária do serviço. “Até o momento (manhã desta terça), a empresa não se posicionou. Então, continuamos com a greve, cumprindo a liminar que estabelece que o transporte funcione com 80% da frota nos horários de pico e 60% nos demais horários”, afirmou Betinho. Placa indicando o estado de greve foi colocada na porta da garagem da City Transportes, localizada no bairro Santo Antônio, em Guarujá (Vanessa Rodrigues/AT) O vice-presidente reiterou que o motivo da greve é a falta de pagamento de metade dos 40% do adiantamento mensal dos trabalhadores. Só acabará quando o dinheiro chegar, declarou ele, que lembrou a realização de audiência no TRT nesta quarta-feira (29). Procurada, a City limitou-se a dizer que está cumprindo a decisão do TRT, pela qual frota deve rodar com 80% da capacidade das 7 às 10 horas e das 17 às 19 horas, e com 60% no restante do dia. Ficou fixada multa diária de R\$ 20 mil em caso de descumprimento. Prefeitura Em nota, a Prefeitura de Guarujá reiterou que, por meio da Advocacia-Geral do Município, impetrou na Justiça Comum e na Justiça Trabalhista duas petições relacionadas à greve dos trabalhadores do transporte coletivo municipal. Na Comum, o objetivo é garantir o cumprimento de uma liminar concedida no dia 20 em favor da Administração, que garante a circulação de 100% da frota, sob pena de multa diária de R\$ 500 mil à concessionária. Na Justiça Trabalhista, “a petição pretende alertar que, na ação de dissídio de greve impetrada pela empresa contra o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Santos e Região, a tutela cautelar antecedente, concedida pela Justiça Comum, não foi (nem) sequer citada, o que poderia, em tese, induzir o magistrado julgador a erro”. A Administração Municipal afirmou que continua analisando “as inúmeras inconsistências encontradas nas informações técnicas, financeiras, administrativas e operacionais fornecidas pela empresa à Administração, para que possa tomar as providências cabíveis”.