Funcionários da Saúde de Guarujá relatam atraso de 6 meses em pagamento de benefícios

Falta de pagamento de vale-alimentação e vale-transporte tem sido recorrente segundo trabalhadores; Organização Social justifica desequilíbrio financeiro

Por: Bruno Gutierrez  -  15/02/19  -  22:18
Contrato da OS Pró-Vida com a prefeitura de Guarujá é emergencial
Contrato da OS Pró-Vida com a prefeitura de Guarujá é emergencial   Foto: Rogério Soares/AT

Os funcionários das Unidades de Saúde da Família (Usafas) de Guarujá voltaram a relatar problemas com relação a atrasos no pagamento de salários e benefícios por parte da gestora dos equipamentos, a organização social (OS) Pró-Vida. Os problemas têm sido recorrentes.


Segundo os trabalhadores, o atraso no vale-refeição chegou ao sexto mês, e não há um posicionamento por parte da OS sobre quando os valores são quitados. Na mesma esteira, se encontra, também, o vale-transporte. Nas redes sociais, munícipes citaram a falta de farmacêuticos e enfermeiros nas unidades. Segundo eles, os profissionais não estavam nas Usafas porque não tinham meios para chegarem ao trabalho sem o vale-transporte. Já os salários sofrem atraso de uma semana no pagamento.


"Tenho filho pequeno, sustento só minha casa, trabalho muito e com uma enorme responsabilidade. Estou desesperada com essa situação", comentou uma das funcionárias, que pediu para não se identificar, por medo de represálias. 


A falta de repasse à Previdência Social (INSS) e o depósito do FGTS são outros apontamentos comuns dos trabalhadores, embora os descontos nos salários ocorram normalmente.


"Eles realizaram corretamente apenas por dois meses. Depois, nunca mais foi feito", relata um funcionário.


Outra reclamação dos trabalhadores é referente às condições de trabalho. Segundo eles, faltam materiais de limpeza e itens de higiene pessoal dentro das unidades de saúde. 


"Não tem materiais de limpeza, sabonetes ou papel higiênico. Limpam o chão com água e álcool. Trabalhamos com a saúde da população e estamos literalmente adoecendo. Adoecendo em todos os sentidos", desabafou outra funcionária.


Pró-Vida não nega problemas e cita desiquilíbrio financeiro


Questionada sobre a situação, a OS Pró-Vida esclareceu, novamente, que está em fase de superação do desequilíbrio econômico-financeiro na execução da Estratégia de Saúde da Família de Guarujá.


A OS garantiu que tanto a prestação de serviços quanto o cumprimento do plano de trabalho realizado na UPA 24h e nas Unidades de Saúde da Família estão sendo devidamente executados. A Pró-Vida negou a falta de materiais ou medicamentos, e ressaltou que os desafios estão sendo superados, sem nenhum prejuízo à assistência dedicada aos pacientes. 


A organização também disse que o desequilíbrio financeiro foi motivado pela implementação de recursos em serviços essenciais, visando não comprometer o atendimento à população que utiliza as Unidades de Saúde da Família. 


Por fim, a Pró-Vida destacou que tais situações estão em processo de ajuste e, assim que o novo contrato for assinado pelo contratante, a entidade realizará imediatamente os acertos de todas as pendências.


Atualmente, a organização social atua na cidade por meio de um contrato emergencial, que encerra neste sábado (16). No entanto, a Pró-Vida foi a vencedora de uma nova licitação realizada pela Prefeitura de Guarujá para gerir, por 60 meses, a Saúde do município. Não foi divulgado quando o novo contrato será celebrado.


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