[[legacy_image_288853]] Professores da Escola Técnica Estadual (Etec) Alberto Santos Dumont, em Guarujá, fizeram na manhã desta segunda-feira (14) uma manifestação em apoio à greve dos trabalhadores do Centro Paula Souza (CPS). Os professores, que se concentraram na porta da escola, reivindicam reajuste salarial, revisão do plano de carreira e pagamento do bônus. Eles também se manifestam contra a criação dos novos cursos técnicos do Estado e em defesa das escolas do CPS. “Essa manifestação é um repúdio contra toda a desconsideração desse governo com a educação”, diz Eli Cardoso, professora do eixo técnico de turismo e hospitalidade. Segundo ela, a categoria tem um acúmulo de perdas de aproximadamente 50% em relação à inflação. Quanto ao plano de carreira, a professora de Física e Química Célia Regina de Oliveira afirma que o plano em vigor é antigo e precisa ser revisto pelo Governo do Estado. “A revisão do plano de carreira é algo que estamos pedindo há muito tempo, pois o plano atual é antigo, de 2014”, explica. “Esse plano é o que vai nos dar um suporte para que se esse aumento não vier de forma efetiva agora, ele venha em curto tempo”, acrescenta. Novo Ensino TécnicoOutro ponto da manifestação é o questionamento dos professores à nova proposta de Ensino Técnico elaborada pela Secretaria Estadual de Educação. Vale ressaltar que o CPS, por sua vez, é vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação. Os novos cursos técnicos já têm, inclusive, edital de processo seletivo publicado. Para os docentes, o foco do Governo do Estado no novo Ensino Técnico estadual pode significar um “sucateamento” do CPS, que já enfrenta dificuldades. “Essa proposta de fazer uma linha paralela de ensino técnico é um despropósito, é como entrar no campeonato com o time reserva”, protesta Cardoso. “Ele (governador Tarcísio de Freitas, Republicanos) vai investir na implantação de uma coisa que, na verdade, já existe, porque o Centro Paula Souza entrega muitos bons resultados para a comunidade”, afirma, destacando os índices positivos de empregabilidade dos alunos formados nos cursos técnicos do CPS. Os docentes também desaprovam a grade curricular dos novos cursos técnicos do estado. “Para nós, que somos professores da Etec e conhecemos a grade curricular, esses cursos não vão profissionalizar nossos alunos, mas, sim, transformá-los em auxiliares”, diz Oliveira. A docente critica, também, as exigências para os professores do novo Ensino Técnico, que são diferentes das dos professores do CPS. “Pelo edital aberto para a chamada de professores para esses cursos técnicos, não é exigido que o professor esteja licenciado”. Ela explica que, devido a essa exigência, cursos que eram oferecidos pelo CPS precisaram ser encerrados. É o caso do curso técnico em Manutenção de Aeronaves, ministrado pela Etec de Guarujá até 2021, quando foi extinto. EsclarecimentosO Centro Paula Souza, que tem 7.979 alunos matriculados em nove Etecs na Baixada Santista, informou, em nota, que a proposta da Secretaria Estadual de Educação “vai ampliar o acesso dos estudantes do Ensino Médio à Educação Profissional”. A pasta também foi procurada para dar esclarecimentos sobre a nova proposta de Ensino Técnico oferecida pelo Governo do Estado, entretanto, não retornou até o fechamento desta edição. MudançasO novo Ensino Técnico é a segunda possível mudança no ensino público no Estado de São Paulo anunciada neste mês. A medida anterior foi a divulgação, no dia 1o, de que os alunos da rede estadual do 6o ao 9o ano do Ensino Fundamental e os do Ensino Médio deixariam de receber os materiais didáticos do Programa Nacional de Livros Didáticos (PNLD), oferecidos pelo Ministério da Educação (MEC), e passariam a utilizar material digital. Diante da repercussão do caso, a Secretaria Estadual de Educação informou, dias depois, que ofertará a todos os estudantes da rede os livros didáticos impressos e alinhados ao currículo paulista, além do material digital. Ainda segundo a pasta, a secretaria só saiu do PNLD nos conteúdos didáticos do 6o ao 9o ano, e continuará com os materiais oferecidos pelo MEC nas demais etapas: Educação Infantil, nos anos iniciais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio.