[[legacy_image_122344]] Em depoimento à Comissão Processante que analisa o seu pedido de impeachment, na Câmara de Guarujá, o prefeito Válter Suman (PSDB) alegou que todo o seu patrimônio foi construído com dinheiro vindo de seu trabalho como médico. Ele ainda falou, na manhã desta quinta-feira (11), sobre sua trajetória profissional e negou envolvimento com qualquer atividade ilícita. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O prefeito respondeu às perguntas da Comissão, composta pelos vereadores Fernando Martins dos Santos, o Peitola (MDB), Edmar Lima dos Santos, o Juninho Eroso (PP), e Sirana Bosonkian (PTB). Sobre os mais de R\$ 40 mil encontrados escondidos dentro de caixas de máscaras de proteção facial no gabinete da prefeitura, o prefeito definiu como uma "malvadeza" essa exposição. "A pandemia provocou grande revolução em qualquer serviço público. A Saúde não tem preço, mas tem custo. Tudo teve elevação. Uma simples máscara foi multiplicada em 15 vezes o valor", limitou-se a responder Suman. O prefeito afirmou ainda que os R\$ 70.082 em dinheiro localizados na casa dele pela Polícia Federal foram obtidos por lucros de uma propriedade rural do Interior que estaria, ainda segundo ele, declarada no Imposto de Renda. A Polícia Federal, no entanto, aponta nas investigações que os valores apreendidos não foram declarados em Imposto de Renda e não condizem com o poder aquisitivo dele. "São valores lícitos e que correm em inquérito sob segredo de Justiça. Em momento oportuno as provas serão apresentadas", diz o prefeito. Já sobre as 312 unidades de joias e um relógio Rolex, também apreendidos em sua casa, Suman explica que foram presentes dados ao longo de seu casamento para a esposa, Edna Suman. "Isso muito me entristece, pois são presentes de datas comemorativas, frutos de meu trabalho e para a minha mulher, que é uma grande companheira". Pró-VidaO Ministério Público do Estado de São Paulo apontou que haviam indícios de irregularidades no contrato entre a Prefeitura de Guarujá e a Organização Social Pró-Vida, que era responsável pela administração da UPA da Rodoviária e 15 Unidades de Saúde de Família (Usafas). Sobre o motivo da quebra de contrato não ter acontecido antes, diante de diversos problemas apresentados pela empresa, Suman justificou que o momento da pandemia não seria o ideal para isso, já que poderia comprometer os serviços oferecidos. "Tudo acontece em uma velocidade intensa durante uma pandemia, mas cobramos para que não faltassem medicamento e assistência. Fizemos isso em uma decisão no momento oportuno e com o ok do Ministério Público. Sou médico há 35 anos e jamais permitiria que qualquer paciente tivesse sua vida colocada em risco", diz. O casoAprisão em flagrante de Suman e do secretário de Educação, Marcelo Nicolau, foi realizada pela Polícia Federal, no dia 15 de outubro, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão daOperação Nácar, que investiga um esquema de desvio de dinheiro na rede pública de saúde em meio ao enfrentamento da covid-19. As ações aconteceram na casa do prefeito e também do secretário. Nos imóveis ligados a ambos, foi encontrada uma grande quantia em dinheiro. Toda a investigação ocorreu após uma denúncia apresentada no Ministério Público do Estado de São Paulo.