[[legacy_image_249745]] As décadas se passaram e o Brasil ainda não conseguiu corrigir as disparidades entre suas regiões. Em 2022, o rendimento domiciliar per capita do Distrito Federal foi 3.5 vezes maior do que o do Maranhão (R\$ 2.913 x R\$ 814). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O levantamento considerou a razão da soma dos rendimentos domiciliares (salários, aposentadorias e outras fontes de sustento) e o total dos moradores, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. Assim, o maranhense teria que trabalhar quase quatro meses seguidos para faturar o mesmo que o brasiliense em apenas 30 dias. A média nacional foi de R\$ 1.625. Acima da faixa dos R\$ 2 mil, além do Distrito Federal, se situaram São Paulo (R\$ 2.148), Rio Grande do Sul (R\$ 2.087) e Santa Catarina (R\$ 2.018). À frente do Maranhão, abaixo de R\$ 1 mil, ficaram Amazonas (R\$ 965) e Alagoas (R\$ 935). Enquanto Brasília reflete os salários da elite do funcionalismo federal, São Paulo se destaca por seu desenvolvimento contínuo desde o fim do século 19, quando o café financiou a industrialização, o consumo e o ensino. A economia brasileira, ao longo dos anos 1900, baseada na monocultura, se diversificou e se tornou uma das maiores do mundo. Mas não se pode dizer que tamanho progresso foi diluído pelo Brasil, pois se concentrou no Sudeste e no Sul. Geralmente os países se desenvolveram por meio do ensino, infraestrutura e setor imobiliário, financiados por alguma commodity (petróleo ou carne, por exemplo). Hoje, a capacidade de poupar da população financia o crescimento em boa parte do mundo já próspero. No Brasil, a máquina estatal ainda é o indutor do desenvolvimento, com o brasileiro, atropelado por histórico de inflação, não tem renda para aplicações financeiras. Às avessas, no Brasil mais recente, o motor da economia foi o consumo das famílias, não a poupança. Por isso, o pouco de crescimento que houve foi intercalado por recessão ou estagnação. Nas duas últimas décadas, alguns estados se desenvolveram. Paraná e Santa Catarina se aproveitaram dos bons indicadores sociais, mas também da proximidade com São Paulo, enquanto alguns cresceram com a guerra fiscal, reduzindo o ICMS para atrair e empresas de outras partes do País. É o caso de Minas Gerais com Extrema, que fisgou dos paulistas grandes pátios do comércio on-line, ou ainda Goiás e Bahia. Não se pode esquecer do agronegócio, que levou prosperidade ao Centro-Oeste, Sul, Sudeste, Rondônia, Oeste da Bahia, sul do Maranhão e Piauí. Este último estado, que era apontado como o mais pobre, teve rendimento médio de R\$ 1.110, o terceiro maior do Nordeste. Apesar de não haver estratégia nacional de desenvolvimento, na base do improviso se superou a miséria em algumas regiões. Mas, não se vê por aqui um fenômeno de longo prazo, como os dos EUA e do leste da Ásia, de avanço contínuo.