Farid Madi (Pode) tem um grande desafio: reerguer uma cidade em séria crise financeira (Alexsander Ferraz/AT) O prefeito de Guarujá, Farid Madi (Pode) tem um grande desafio: reerguer uma cidade em séria crise financeira. Para lidar com ela, promete austeridade fiscal e um amplo diagnóstico sobre o que fez a situação se agravar. Na esteira disso, vive a expectativa por duas obras: o Aeroporto Civil Metropolitano e o Túnel Santos-Guarujá. Confira a entrevista para A Tribuna. Como estão estes primeiros dias de novo mandato, com essa questão do norovírus? Como a Cidade está absorvendo isso? A Prefeitura já estava preparada para esse momento, porque todos os anos a gente tem esse aumento nos casos. Não tivemos problemas no atendimento. A situação está normalizada. Como prevê os investimentos em saneamento? A Sabesp vai investir muito no Guarujá, acho que em toda a Baixada. Nós vamos agora, semana que vem (esta), ter uma nova reunião. Criamos um grupo de trabalho para acompanhar esse novo momento de relação com a Sabesp, que foi privatizada. Será positivo, porque vai fazer com que as obras sejam mais ágeis. E quanto à questão financeira? Deve haver uma fila de credores. Já os identificaram? Haverá um plano para pagamento? Já está quase pronto esse levantamento, sobre quem são os principais credores e para quem a Prefeitura deve. Logicamente que, dentro desses credores, de alguns vamos ter que fazer uma avaliação para saber se realmente é isso. Estamos fazendo esse levantamento, com uma proposta de parcelamento para esses credores em 36 meses ou 48 meses. Enfim, aquilo que for possível para a gente assumir, para que eles possam receber. Muitos são fornecedores de serviço contínuo, que a gente não pode interromper. Então, é para garantir para que eles possam receber pelo seu trabalho mensal de uma forma normal. O que chamou a atenção nessas primeiras análises das contas? Nós temos encontrado algumas coisas, no mínimo, estranhas. Como na área da saúde: empresas que contratam médicos com custo elevado demais. Guarujá tem uma receita muito boa, perto de R\$ 3 bilhões. Não é possível que a gente tenha escolas em estado totalmente deplorável, quadras sem funcionar porque não têm cobertura ou o piso está danificado. Mas, no primeiro olhar, esse panorama está da forma que vocês achavam? Está pior. Um exemplo: minha esposa assumiu o Fundo Social, e lá não tem um telefone. Quando abriu o quadro de telefonia, os fios estavam cortados, e alimentos com ratos. Outro: alguns médicos, que não são da rede, são contratados, que fazem 60 plantões no mês. Impossível de acontecer, não é? Temos que enxugar nossas contas, para recuperar capacidade de investimentos. Quando se encontrar com o governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), quais serão as principais reivindicações? A relação com o governador vai ser a melhor possível. Ele já se mostrou bastante preocupado com a situação aqui do Guarujá. Durante a campanha, disse que é uma cidade muito machucada. Temos problemas sérios na área social. São menores, ou jovens, moradores de periferia, que estão desassistidos socialmente. É necessária a inclusão social. Chamou a atenção no seu secretariado a presença do ex-prefeito (de São Vicente) Pedro Gouvêa. Como ele vai poder ajudar numa área sensível como a habitação? Ele já é amigo nosso há muito tempo, mas não foi essa questão que pesou. Vai poder ajudar muito com a sua experiência, com a sua expertise de ser prefeito. São Vicente tem questões que são um pouco parecidas com as nossas. Então, é uma união de forças. Duas obras importantes que envolvem Guarujá são o aeroporto e o túnel Santos-Guarujá. Qual a expectativa por elas? O aeroporto é uma questão que eu conheço muito de perto, porque nós avançamos muito quando eu estava na Prefeitura. Chegamos, inclusive, a colocar licitação na rua. Mas hoje nós estamos em uma fase muito avançada. Obras da pista já acontecendo, no terminal de passageiros também foram iniciadas. Então, acho que até meados do ano, talvez, assim, sendo conservador, até o final do ano de 2025, (o aeroporto) estará em operação. E sobre o túnel? Também acredito que vai acontecer. Tenho conversado muito com o (Anderson) Pomini (presidente da Autoridade Portuária de Santos). Há muito investimento para acontecer no Guarujá. Os editais vão ter essa exigência de mão de obra local. O que o Farid do outro mandato (de 2005 a 2008) ensinou para o de agora? Tive um mandato de quatro anos muito difíceis, porque eu tinha uma oposição muito dura contra mim. Mas eu trabalhei muito, meu governo foi eficiente, Talvez precisaria ter tido um pouco mais de cuidado, exatamente, com a questão política. Como espera a relação com a Câmara Municipal? Eu acho que vai ser tranquila. Nenhum vereador vai criar animosidade com o Executivo num momento tão importante que a Cidade está vivendo. Tenho levado uma mensagem de união, de entendimento. Independentemente das questões partidárias, é fundamental trabalhar de forma harmoniosa, pelo bem da Cidade. Espero que os guarujaenses tenham confiança em que vamos melhorar, mas também, paciência.