[[legacy_image_291650]] Uma oportunidade para desenvolver o autoconhecimento e, coletivamente, evoluir. O Centro de Recuperação de Paralisia Infantil e Cerebral (CRPI) de Guarujá completou, na última quarta-feira (23), 60 anos de história. Atualmente, a entidade promove qualidade de vida a mais de 400 crianças e adolescentes de forma gratuita. Em parceria com a Prefeitura de Guarujá, o CRPI oferece serviços na área da saúde e da educação. A entidade integra o Sistema Único de Saúde (SUS) e é financiada, majoritariamente, por recursos municipais. O objetivo central é a inclusão de pessoas com deficiências físicas, múltiplas e neurológicas, muitas vezes desde o nascimento. Soledade Caetano, a mãe do pequeno Nathan, que tem microcefalia, conta que o filho é atendido no local desde que nasceu. Hoje ele tem 10, mas começou a fisioterapia com apenas nove meses de idade. Aos quatro anos, entrou na escola da instituição, onde permaneceu até o ano passado. Com o setor de neurologia, a mãe avaliou que era hora de dar uma pausa, já que o filho não tem a capacidade cognitiva preservada. [[legacy_image_291651]] “Pelo grau da deficiência dele, ele está super bem. Por exemplo, se ele não tivesse o acompanhamento de fisioterapia, ele seria todo atrofiado. Então essa parte é ótima. Eles também sempre incentivam as mães a buscarem o melhor para a criança”, afirma a dona de casa de 40 anos. Estimulação precoce é essencialSituado na Estrada Alexandre Migues Rodrigues, 845, bairro Jardim Las Palmas, o CRPI conta com um total de 52 profissionais. A organização oferece atendimento médico para pessoas de 0 a 17 anos e 11 meses. Na escola, é possível encontrar pequenos a partir dos 2 anos até os que já atingiram a maioridade. Para os jovens adultos, há uma oficina para o desenvolvimento da integração social. A entidade tem pediatria, neurologia, ortopedia, odontologia, fisioterapia e várias outras especialidades, incluindo psicologia. Além das aulas e atendimentos, a luta dos profissionais é também pelos direitos individuais – gratuidade no vale-transporte, por exemplo – e coletivos, como a garantia de os pacientes frequentarem espaços públicos. Muitas mães que tiveram complicações no parto são orientadas a contatarem o Centro para um acompanhamento logo no início. Se não tiver uma deficiência definitiva, o paciente, geralmente, recebe alta. Caso existam sinais de uma patologia, fica mais tempo ou é encaminhado a instituições com serviços ainda mais específicos. “O indicado é que as crianças cheguem o mais brevemente possível. A criança nasceu, identificou-se alguma deficiência ou síndrome, a maternidade, o sistema público, já fazem o encaminhamento para nós. Uma estimulação precoce é fundamental, começar a trabalhar desde bebezinho”, explica Reginaldo Pacheco, presidente do CRPI. Atendimento especializadoReginaldo é um dos que tiveram a vida transformada pela iniciativa. Diagnosticado com poliomielite aos seis meses de idade, ele teve a mobilidade da perna direita reduzida. Foi então que precisou de atenção especial e frequentou a escola do Centro até os oito anos. Posteriormente, foi encaminhado à inclusão social em uma escola regular. “Depois de muitos anos eu acabei me reaproximando por um aspecto profissional. Eu sou jornalista, e houve esse vínculo de estar vindo aqui pela assessoria de imprensa”, afirma ele, que já está no cargo há nove anos. Há um total de 18, ele trabalha no local de forma totalmente voluntária. Algo importante é que cada caso é acompanhado individualmente e, de tempos em tempos, há uma reavaliação. As professoras têm capacitação específica em educação especial, sendo que os estudantes também são acompanhados de monitores. “Aqueles que não têm a condição da inclusão em nenhuma escola regular ou não fazem parte do caráter de uma instituição, seguem conosco durante toda a vida escolar. Essencialmente, os que continuam aqui na parte escolar são os que têm uma dependência motora muito grande, precisam de higienização e não têm autonomia para fazer”. O CRPI tem parceria com a Secretaria de Saúde e Educação, então todo o tratamento e atendimento são gratuitos. “Nós trabalhamos com metas pequenas, de curto prazo, inclusive para incentivar a família a perceber a evolução daquela criança e ter mais avanços”, conta Reginaldo. [[legacy_image_291652]] Como ajudar?“É uma mistura de orgulho e responsabilidade, porque precisamos perpetuar o legado construído ao longo de 60 anos, honrando as pessoas que vieram e tornaram toda essa história possível, fazendo a diferença na vida de milhares de pessoas”, celebra Reginaldo. Quem desejar contribuir voluntariamente pode ir até a sede, conversar com as coordenações e tentar uma inserção. Também há a modalidade “sócio contribuinte”, na qual o interessado faz doações com a frequência que desejar. Uma maneira de ajudar no dia a dia é doar cupons fiscais. “Toda vez que a pessoa faz uma compra e pedem o CPF dela naquela nota, ao invés de ela receber os créditos, eles vêm pra instituição. E, ao fazer essa doação, o volume de créditos que vêm para instituição, por ser uma doação, é maior que se ela recebesse a devolução individualmente”. Doações de plásticos (como tampinhas), roupas, objetos de decoração e brinquedos para a comercialização no brechó da entidade também são bem-vindas. “Passa um filme na cabeça. Tenho memórias do período em que fui paciente e aluno. Nunca imaginaria que hoje estaria à frente da instituição. É uma mistura de orgulho e responsabilidade, porque precisamos perpetuar o legado construído ao longo de 60 anos, honrando as pessoas que vieram e tornaram toda essa história possível, fazendo a diferença na vida de milhares de pessoas”, finaliza. O CRPI foi fundado em 23 de agosto de 1963 por Steffi Leonore Asch, uma paulistana com pais alemães. Ela, que era bailarina, sofreu uma queda e ficou com sequelas que a impediram de seguir na dança. A partir da experiência, construiu a entidade na intenção de promover a reabilitação e o desenvolvimento de crianças e adolescentes com deficiência.