[[legacy_image_121221]] Dois depoimentos vão mobilizar, nesta semana, a Comissão Processante da Câmara de Guarujá que analisa o pedido de impeachment do prefeito Válter Suman (PSDB). O ex-secretário de Educação, Marcelo Nicolau, foi convocado a prestar esclarecimentos nesta segunda-feira (8), às 9 horas. Na quinta-feira (11), no mesmo horário, os vereadores aguardam a presença de Suman. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O prefeito é investigado por, supostamente, comandar uma organização criminosa que teria desviado mais de R\$ 109 milhões da saúde pública do Município. Nicolau teria recebido vantagens indevidas em contratos com a Prefeitura. Os dois foram presos durante operação da Polícia Federal (PF) em 15 de setembro e soltos três dias depois. O chefe do Executivo retornou ao cargo em 20 de setembro. Nicolau saiu de férias, entrou em licença médica e foi exonerado após ordem judicial. A Reportagem tentou ouvir Válter Suman mas, de acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura, apenas os advogados do prefeito se posicionam sobre o tema, e eles não foram localizados. A Tribuna também tentou contato com Marcelo Nicolau, mas sem sucesso até a publicação desta matéria. [[legacy_image_121222]] AndamentoNa última quinta-feira (4), os ex-secretários municipais de Saúde Sandro Luiz Ferreira de Abreu e Vitor Hugo Straub Canasiro também eram esperados para depor, porém não compareceram à sessão. No dia seguinte, o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico e Portuário do Município Rogério Rudge Lima Netto também não atendeu ao chamado da comissão. Ele é apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como operador financeiro do prefeito e o teria ajudado a ocultar patrimônio ilícito. A falta às sessões não acarreta sanção aos convocados pela Câmara, mas prejudica o trabalho do Legislativo. Por isso, o presidente da Comissão, Fernando Martins dos Santos, o Peitola (MDB), avalia o não comparecimento como uma estratégia para ganhar tempo, uma vez que o prazo para a conclusão de todo o rito é de até 90 dias desde a abertura do processo — até 29 de dezembro. HistóricoA abertura da Comissão Processante foi aprovada em 21 de setembro, por unanimidade, após o PDT protocolar na Câmara, no dia anterior, pedido de impeachment de Suman. Além de Peitola, o grupo de análise do pedido de impeachment é composto pelos vereadores Edmar Lima dos Santos, o Juninho Eroso (PP), e Sirana Bosonkian (PTB). Eles já ouviram o acusador, José Manoel Ferreira Gonçalves, presidente do PDT na Cidade, e receberão acusados e testemunhas. Os legisladores também podem pedir diligências. Só um depoimentoAté agora, apenas o presidente do diretório do Partido Democrático Trabalhista (PDT) em Guarujá, José Manoel Ferreira Gonçalves, foi ouvido pela Comissão Processante da Câmara. Durante o depoimento dele, houve manifestações de apoiadores do prefeito Válter Suman, que encheram o plenário da Casa. A Guarda Municipal teve de ser acionada, mas ninguém foi retirado do local. Gonçalves foi questionado se teria autorização do partido para protocolar a denúncia. Também se indagou ao dirigente se ele tem planos de se candidatar a algum cargo público numa próxima eleição. Ele confirmou a autorização do PDT e, quanto a uma possível candidatura, respondeu: “Se serei candidato ou não, terei todo o direito de fazer isso quando achar que devo”. Esquema milionárioO prefeito Válter Suman (PSDB) e o então secretário de Educação Marcelo Nicolau foram presos em flagrante, em 15 de setembro, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Nácar-19, que investiga um esquema de desvio de dinheiro na rede pública de saúde em meio ao enfrentamento da covid-19. As ações ocorreram na casa do prefeito e do secretário. Nos imóveis ligados a ambos, foram encontrados quase R\$ 2 milhões em dinheiro. Três dias depois, os dois foram postos em liberdade provisória. Suman é suspeito de comandar uma organização criminosa que teria desviado mais de R\$ 109 milhões da área da Saúde. Nicolau teria recebido vantagens indevidas nos contratos entre a Prefeitura e a Organização Social Pró-Vida, que administrava a UPA da Rodoviária e 15 unidades de Saúde da Família.