[[legacy_image_26315]] No 9º dia de buscas pelas vítimas dos deslizamentos de terra em Guarujá, bombeiros mudam tática para acelerar trabalhos na Barreira do João Guarda. Já são mais de 48 horas sem que uma nova vítima seja encontrada. De acordo com o porta-voz da corporação, capitão Marcos Palumbo, 127 bombeiros e cinco máquinas atuavam na Barreira, de forma ininterrupta, em busca dos desaparecidos, nesta quarta-feira (11). “Estamos dividindo o terreno em quadrantes e neles buscamos indícios de presença humana. Dessa forma, vamos mapeando o local e, por onde passamos, não voltamos, porque temos certeza de que ali não há ninguém”. Dor O aposentado José Gonçalves de Souza, 69 anos, o Zeca da Barreira, nem de longe poderia imaginar o drama que passaria 50 anos depois de sair da Vila Júlia para se tornar um dos primeiros moradores da Barreira do João Guarda. Quando chegou ao local, ele conta que só havia mata. A mudança foi carregada a pé, porque carro não entrava. Foi, inclusive, vizinho de João Guarda, que acabou dando nome à comunidade. “Cheguei em 15 de junho de 1970, enquanto o Brasil disputava a Copa do México. Na época, o João era guarda no Jardim Virgínia”. Segundo ele, João Guarda vendia aterro com material retirado do morro e foi por isso que ficou conhecido. “Vendia para aterro de jardim, para terrenos. Ele tinha autorização da Prefeitura para isso. Era uma pessoa muito boa e ajudou muita gente”. Souza diz anda que, nesse tempo, não imaginava que viveria uma tragédia dessa proporção. “Dei para a minha filha um terreno, no alto do morro, era um sítio. Disse para não cortar uma árvore. Ela fez a casa do jeitinho que sonhou. Mas ela, meu genro, minha neta e a companheira dela morreram no deslizamento”.