[[legacy_image_258285]] Uma bebê de 1 ano foi atacada por uma cobra na Rua Paulo Orlandi, na Vila Santo Antônio, em Guarujá. O caso aconteceu no dia 18 de março e a vítima ficou 14 dias internada se tratando de sintomas da mordida. Contudo, a família relata que essa situação é um reflexo do descaso do Poder Público e do Hospital Santo Amaro. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Minha filha tinha acabado de almoçar e, como está aprendendo a andar, deixo ela muito no chão. Fico com ela e nunca tive problema com cobras. Quando fui colocar o prato dela na pia, ela veio engatinhando atrás de mim e percebi que ela parou, olhei para trás e vi uma cobra mordendo o dedo dela”, conta o pai, o eletricista naval Luiz Barreto Baptista, de 29 anos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! De acordo com ele, a Prefeitura de Guarujá começou o processo de desocupação de casas irregulares pela rua e depois as demoliu, em outubro de 2022. Após a demolição das residências, o eletricista naval alega que o habitat natural das cobras foi revirado e causou a aparição dos animais pelo entorno. Durante os 28 anos que afirma ser morador do local, ele diz nunca ter visto uma cobra dentro de casa. O pai da criança relembra que teve que agir rapidamente para ajudar a filha. “Puxei ela para afastar da cobra, mas já havia sido picada. O animal foi para trás da geladeira, em posição para dar um novo bote. Coloquei minha filha no carrinho, matei a cobra, coloquei em um vidro e levei a criança para o UPA”. A vítima da cobra foi transferida e ficou internada no Hospital Santo Amaro por 14 dias. Dentro desse período, o pai relata que teve que se desdobrar para lidar com uma série de questões que não teriam sido atendidas pela equipe médica responsável pelo caso. “No dia 21 de março ainda não haviam identificado que espécie a cobra era, só alegavam que era cobra d'água. Eu questionei (a equipe hospitalar), mas me falaram que um rapaz tinha identificado por foto. Nunca vi identificar e não saber a espécie”, relembra. Como descobriu que o animal envidraçado ainda estaria no hospital, o eletricista naval conta que teve a ideia de descobrir a espécie por conta própria e ajudar a filha a ter o tratamento ideal para o tipo da picada. Por isso, alega que uma funcionária lhe entregou o vidro com o animal para uma foto e o mesmo não devolveu. “Ela cedeu, tirei as fotos e coloquei o vidro com a serpente no meu bolso”. Em seguida, relata ter ido até a ouvidoria do hospital e ter sido destratado por uma outra funcionária que lhe disse para pegar a filha e ir embora, caso não estivesse satisfeito com o atendimento oferecido na unidade. Logo após sair do hospital para ir até o Instituto Butantan, em São Paulo, a mesma funcionária foi até o quarto em que a criança estava internada e disse que era para trazer a cobra de volta, pois um especialista estava indo identificar o animal presencialmente. O pai comenta que decidiu continuar viagem e foi até o Butantan, que descobriu que a cobra era uma cobra lisa, ou Erythrolamprus Miliares. “Chegando no Butantan, ele confirmou que era uma cobra d’água e identificou a espécie”. O laudo do Butantan foi entregue à pediatra responsável pelo caso, segundo Luiz. A criança ficou internada até a última sexta-feira (31), quando recebeu alta hospitalar e foi permitido seu retorno para casa. Porém, o pai explica que no exame de sangue ainda constava infecção acima do normal pela picada e não havia indicação de continuidade no tratamento após a alta hospitalar. “Um descaso total”, diz. “Hoje minha filha está sem febre, sem vômito, mas ainda está com um pouco de diarreia. Não sei se pelo antibiótico ou pela infecção. Agora preciso correr com ela, tentar arrumar uma consulta ou arcar com os custos, pois ela teve alta e preciso ter certeza absoluta de que não há infecção”, relata. Em nota, o Hospital Santo Amaro explicou que a menina deu entrada proveniente de Unidade de Pronto Atendimento do município. Ela foi atendida pela pediatra que constatou lesão compatível com picada de cobra. Não apresentou alterações que sugerissem envenenamento. Foi medicada com antialérgico e foi acionado o médico do município, responsável por ocorrências com animais peçonhentos. O especialista avaliou e concluiu que a espécie conhecida como 'cobra d' água' foi responsável pela lesão e que não seria venenosa. A paciente ficou internada para observação e no dia dia 20 de março apresentou pico febril quando foi medicada. No dia 21, teve outro quadro febril e foi realizado coleta de exames laboratoriais e início de antibioticoterapia. No dia 31 d emarço, a menina recebeu alta hospitalar em perfeita condição de saúde.