[[legacy_image_319515]] Uma balada no próximo sábado (16) e uma grande festa de Réveillon com atrações internacionais e do Brasil, com open bar, ingressos à venda e sem hora para acabar. Tudo parece maravilhoso, mas, apesar de os dois eventos estarem programados para acontecer na Fortaleza da Barra Grande, em Guarujá, eles ainda não têm autorização dos órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio histórico do estado de São Paulo e do país. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A Associação Guarujá Viva (Aguaviva), entidade sem fins lucrativos representante da sociedade civil de Guarujá e da Baixada Santista, comunicou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a realização dessas atividades na área tombada do município. "Estão programados esses dois eventos e os ingressos se encontram à venda, mas não existe autorização para a realização deles. Esse Projeto Fort Beach e a festa de Réveillon não podem acontecer na Fortaleza da Barra Grande, que é um marco histórico protegido pelo Iphan e pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo). É um grande risco de provocarem danos irreparáveis na estrutura histórica", diz o engenheiro José Manoel Ferreira Gonçalves, presidente da Aguaviva. O engenheiro destaca ainda que as festas vão "perturbar a paz do local e prejudicar a conservação de artefatos preciosos". Além disso, o acúmulo de lixo e a poluição podem afetar negativamente o ambiente natural ao redor, incluindo a fauna. O patrimônio, tombado pelo Iphan em 23 de abril de 1964 e pelo Condephaat em 27 de abril de 1971, representa um marco histórico significativo, abrangendo o Fortim da Praia do Góis e o Portão Espanhol. "A realização de um evento particular nessa localidade histórica pode colocar em risco sua integridade e o valor cultural que representa para a comunidade e para o Brasil", diz Gonçalves. A Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande integra a lista de 19 monumentos que formam o Conjunto de Fortificações Brasileiras, candidato a Patrimônio Mundial da Unesco. Lá, funciona o Museu Fortaleza da Barra, que tem como objetivo resgatar a identidade e a memória da população local e da cidade. PosicionamentoEm nota, a Prefeitura de Guarujá informou que "todos os estudos técnicos necessários foram apresentados pela empresa responsável pelo evento à Secretaria Municipal de Cultura (Secult), para utilização da área externa da Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande", conforme determina a legislação municipal. Ainda segundo a Administração Municipal, a Secult enviou a documentação para avaliação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), bem como à Secretaria de Patrimônio da União (SPU), e aguarda a resolução dos órgãos. "Caso as permissões não sejam emitidas em tempo hábil, os eventos não serão realizados e os organizadores já foram cientificados a respeito", afirmou a Prefeitura, que acrescentou que "cada evento é avaliado individualmentepelosórgãos".