Perdas são irreparáveis, mas a tristeza pode se transformar em propósito. Foi assim com Catrini Caminski, que em 2017 perdeu a tia, Salete de Lurdes, de 54 anos, para o câncer de mama. O luto “plantou uma sementinha” em seu coração, para ajudar vítimas da doença, com mais de 78 mil novos casos por ano no País. Assim, nasceu o Instituto Salete, que, por mês e de forma independente, atende mais de 60 mulheres com diferentes tipos de câncer. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na fase em que a tia passava por quimioterapia, Catrini conheceu muitas mulheres e viu de perto os efeitos do tratamento, como a perda da autoestima e o sentimento de abandono. “Também comecei a perceber como o Outubro Rosa, que deveria ser um momento de conscientização e cuidado, muitas vezes acabava sendo tratado apenas como uma data comercial.” Já naquela época, Catrini revendia cosméticos. Em 2024, teve de lidar com mais uma perda. Dessa vez, a despedida foi de uma cliente que virou amiga. “A Luciana, que havia me procurado justamente para comprar lápis de sobrancelha e maquiagens. Durante aquele contato, percebi ainda mais claramente como pequenos gestos podiam fazer diferença para uma mulher que estava passando pelo tratamento. Foi então que decidi começar pelas primeiras doações. Mas, para mim, nunca foi apenas sobre doar maquiagem, cabelo ou produtos. Era sobre não ficar indiferente diante de histórias que eu já tinha escutado e vivido tão de perto”, relembrou. Mulheres posam para calendário a ser lançado para o próximo ano (Divulgação) As ações voluntárias começaram e, no ano passado, se promoveu um primeiro grande encontro: uma tarde de café com mulheres em tratamento e em remissão (desaparecimento dos sinais da doença). “A gente quis fazer uma homenagem para ela, poder trazer um pouco da história de uma mulher (Salete) que lutou contra o câncer durante seis anos e venceu. Venceu porque foi muito forte. Mesmo em meio ao tratamento, sempre queria viver mais, e ela vive através desse trabalho.” Hoje, tudo é feito por 15 voluntárias. As mulheres são acompanhadas continuamente, com encontros mensais on-line. Recebem apoios emocional, psicológico e alimentar, com cestas básicas, de autoestima e bem-estar, com banco solidário de perucas e lenços, e cuidados com o corpo, por meio de fisioterapia e pilates. O instituto ainda não tem sede. Interessados em ajudá-lo podem doar comida, cabelos, lenços, fraldas e itens de higiene em geral. As doações são retiradas pelos voluntários. Em 18 de outubro, será lançado o Calendário 2027, em um evento no Casa Grande Hotel, localizado na Avenida Miguel Estefno, 1.001, na Enseada. “As nossas assistidas vão fazer um desfile do Outubro Rosa. Faremos uma noite de autógrafos. Tudo está sendo planejado com muito carinho”, adiantou Catrini. Mais informações sobre o trabalho podem ser encontradas nas redes sociais, no endereço @institutosalete. Salete (à esq.), tia de Catrini, teve de passar por tratamento médico...e morreu em 2017, após seis anos vivendo com câncer de mama (Divulgação)