[[legacy_image_304370]] Uma mãe de Guarujá, no litoral de São Paulo, busca ajuda para o tratamento do filho, de dois anos, após a criança ter desenvolvido uma doença crônica. O caso teria acontecido depois de o menino tomar uma injeção na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Enseada. A aplicação teria atingido um nervo da criança, no dia 4 de janeiro deste ano. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Lais Medeiros, de 22 anos, conta que o filho Davi Lucas perdeu a sensibilidade e forças na perna direita após ter sido levado à UPA pelo seu marido e sua cunhada. O caso ocorreu, de acordo com ela, quando o filho tinha um ano, estava passando muito mal e precisava de atendimento. A médica receitou que ele tomasse uma injeção intramuscular no ‘bumbum’. Lais estava trabalhando, então não acompanhou a consulta, mas ao chegar em casa, notou que o filho não conseguia colocar o pé no chão. “Eu entrei em desespero e levei no pronto-socorro. O médico prescreveu paracetamol e disse que iria ‘voltar’ e que era normal”, conta Entretanto, uma mulher da recepção disse que não era normal que uma criança tomasse uma injeção e não conseguisse andar. Que era para eles voltarem ao médico. “Eu passei em outro médico, que passou uma medicação e também falou que iria ‘voltar’”. Lais também conta que, ao decorrer dos dias, ela ficou desesperada e entrou em contato com a Secretaria de Saúde do município, que não deu retorno. “Ninguém me deu suporte. Eu ligava, ligava, ligava e não tinha ninguém para me ajudar”. Neste tempo, ela conseguiu passar por outro médico, também na UPA da Enseada, que encaminhou Davi para outros especialistas para investigar o que estava acontecendo. O menino então passou por uma neurologista e começou uma fisioterapia, mas ainda assim faltava um exame importante, de eletromiografia (representação gráfica da ativação elétrica dos músculos), para entender melhor o que havia acontecido. Mas, ela não conseguiu fazer o exame com ajuda da prefeitura. [[legacy_image_304563]] Boletim de ocorrênciaLais destaca que no dia 18 de janeiro foi até a Delegacia de Polícia de Guarujá para registrar Boletim de Ocorrência sobre o caso de Davi. No documento, que a Reportagem teve acesso, é descrito que a "agulha era desproporcional a idade e peso da criança", mas que como a família não entende sobre procedimentos médicos, não opinou. Secretaria de SaúdeTrês meses depois do ocorrido com Davi, Lais conta que viu o secretário da saúde na Unidade de Saúde da Família (Usafa) do Perequê e foi falar com ele sobre a situação que estava enfrentando com seu filho. “Eu fui, expliquei o caso e entrei em desespero. Falei que já tinha três meses que estava tentando entrar em contato com a secretaria e que meu filho precisava fazer um exame”, conta. Ela também diz que o secretário disse não saber o que estava acontecendo, mas que era para marcar uma reunião na semana seguinte. “Eu fui (para reunião) e chegando lá, ele me disse que a secretaria estava ciente do caso do Davi, mas que ele não estava recebendo a atenção que deveria ter”.Lais também diz que sempre está em contato com a secretaria, entretanto, que demora a receber uma resposta. O secretário, inclusive, marcou uma reunião com ela nesta segunda-feira (16). [[legacy_image_304371]] CRPICinco meses depois, em junho, Davi foi encaminhado para o Centro de Recuperação de Paralisia Infantil e Cerebral (CRPI) de Guarujá SP, em junho. “Quando eu cheguei lá, a assistente social e os médicos me disseram ‘mas você está vindo agora para cá, mãezinha? Esse caso era para estar aqui antes’”. No CRPI, Davi passou por outra neurologista que o encaminhou a ele novamente para um exame de eletromiografia. Lais conta que, mais uma vez, encontrou dificuldades para realizar o exame, mas que conseguiu. Em suas redes sociais, Lais cobra um posicionamento dos órgãos envolvidos, em busca de um melhor atendimento para o seu filho. “Nesses nove meses foi tudo uma demora. Eu só vi assim, um jeito de ter respostas pelas redes sociais. Só quando eu posto é que eles me adiantam as coisas”, denuncia. [[legacy_image_304564]] PrefeituraA criança ainda precisa de tratamento, e a mãe diz que a prefeitura está ciente, mas que não dá as devidas respostas. Além disso, ela se queixa da demora que o filho encontra para realizar os exames. “A demora é tanta que a lesão dele já é crônica. Se fosse uma coisa que tivesse sido resolvida no começo, não tinha acontecido isso com ele”. A Prefeitura de Guarujá informou, em nota, que, desde que teve ciência do caso, vem prestando toda assistência médica necessária à criança, com prioridade de atendimento na rede municipal de saúde. Reafirmando que Davijá recebe acompanhamento por uma equipe multidisciplinar do Centro de Recuperação de Paralisia Infantil (CRPI). Além disso, a administração acrescenta que vem apurando eventuais responsabilidades por parte dos profissionais da Unidade que aplicaram a injeção mantendo contato constante com a mãe da criança. Na manhã desta segunda-feira (16), Lais diz ter tido uma reunião com a Administração, que disse estar dando apoio ao caso se Davi. "Eles falaram que eu tenho que ter calma. Que tudo é um processo e que realmente as coisas demoram, só que eu acho que meu filho já esperou demais, né?".