[[legacy_image_294114]] Agamenon dos Santos: este é o nome do ‘herói da balsa’ , que pulou no mar para salvar a atendente Vivian Burato Silva, de 48 anos, que caiu da travessia entre Santos e Guarujá na última quinta-feira (31). O armador, de 35 anos, estava voltando do trabalho quando tudo aconteceu. “Para falar a verdade, até agora nem eu entendo o que eu fiz. Eu vinha por um lado, ela por outro. E quando eu estava quase saindo da balsa, ouvi aquele ‘corre’ e as pessoas gritando ‘a moça caiu’. Eu saí da bicicleta e fui deixando minhas coisas e pulei da balsa’. Ele ainda conta que não pensou duas vezes em pular na água e ajudar. “Eu não sabia se era homem ou mulher. Alguma coisa tocou em mim e eu simplesmente fui. Na hora eu só pensei em tirá-la da água. Eu fiquei aliviado de ter ajudado uma pessoa que também é trabalhadora”, relembra. Os amigos e familiares o chamam de herói, mas ele diz não se sentir um… A não ser quando sua filha, Melissa, de seis anos o chama assim. “Eu me sinto bem”, conta. RelembreSegundo Vivian, o acidente ocorreu por um vão da balsa, após o transporte recuar durante o desembarque dos passageiros. Ela conta que, por não saber nadar, pensou que iria morrer, mas foi salva por um desconhecido. A mulher trabalha em Santos e é moradora de Guarujá. Como de costume, faz esse percurso de bicicleta todos os dias e usa a balsa. Ela comenta que é um caminho tranquilo. “Eu sou muito cuidadosa e eu estou acostumada a pegar balsa”. [[legacy_image_294115]] Vivian alega que não sabe nadar e afundou no mar à noite. Gritos por socorro, corpo afundando e desespero, assim que a atendente afirmou que se deram os momentos seguintes à queda, até que foi jogada pela maré novamente para a superfície e um homem, desconhecido, pulou no mar para ajudá-la. “Estava embaixo da balsa e o impacto que me jogou para o lado. Tinha muita gente ali, gritando e ele viu o cabelo na água. Ele se jogou na água, segurei o braço dele e ele foi me levando. Engoli água ainda e ele foi me levando. Quando ele encostou no paredão ali do atracadouro, o pessoal jogou a boia e me tiraram”, relembra. A vítima ressalta que houve um descaso da equipe do Departamento Hidroviário (DH) com a sua situação. “Em nenhum momento chegou algum funcionário da balsa ou guarda-vidas. Não apareceu ninguém, quem estava ali era o povo. As pessoas me ajudaram. Uma moça tirou o casaco dela e me deu, porque eu estava em choque”. Foram 20 minutos até que um funcionário que se apresentou para Vivian como coordenador de operações da balsa para entender melhor o ocorrido. A mulher diz que houve uma discussão e ela chamou a Polícia Militar (PM). Em seguida, foi para o hospital acompanhada do marido. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) informou, em nota, que registrou incidente no atracadouro misto da embarcação FB-14, do lado de Guarujá. Segundo a Semil, as equipes do DH seguiram os protocolos de atuação previstos pela Marinha, incluindo o lançamento obrigatório de boia circular. Além disso, a Semil relatou que, imediatamente, as equipes auxiliaram no socorro à vítima, que foi resgatada com segurança e atendida pela equipe operacional. Por fim, confirmaram que o prejuízo da usuária será ressarcido.