[[legacy_image_258410]] "Você tá representando uma nova eu, uma nova pessoa". Foi com essas palavras e muita emoção que a adolescente Geovanah Cícera Gomes Barros, de 13 anos, reencontrou o guarda-vidas Rafael Menezes Ribeiro. Ele se jogou no mar para salvá-la em uma caverna em Guarujá, litoral de São Paulo, na semana passada. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O reencontro de Geovanah e Rafael aconteceu nesta quarta-feira (5), no Hospital Santo Amaro. Depois de ser resgatada, ela ficou nove dias na UTI, com escoriações por todo o corpo. "Eu lembro que consegui subir em umas pedras, mas não estava enxergando nada. Só conseguia apoiar. Não lembro como cheguei lá (na caverna). Tive um devaneio, acordei e continuei lutando. Eu falei assim: 'Deus, se você quer me levar, me leva sem dor nenhuma'. Depois eu apaguei de novo", recorda a menina sobre o dia do acidente. A jovem também sofreu uma parada cardiorrespiratória, quando passava por exame de tomografia, e broncopneumonia aspirativa, devido a água ingerida no mar. Geovanah chegou em estado grave na unidade, mas deixou a UTI nesta terça (4) e se recupera na enfermaria. [[legacy_image_258430]] As feridas pelo corpo não escondem a emoção e o bom humor da jovem, que abraçou fortemente o cabo Rafael, outros integrantes do Corpo de Bombeiros que participaram da ocorrência e a mãe Ester Correa, presente desde os primeiros dias na UTI. "É indescritível. O que você (Rafael) representa é indescritível. Você tá representando uma nova eu, uma nova pessoa (chora). Eu não estava com esperança na hora. Não estou com trauma. Ainda quero entrar na água. Vou entrar com você (aponta para o Rafael, e ri)", brincou a adolescente durante o reencontro. Vida nova Em meio à Semana Santa, a jovem completa 14 anos no domingo. Ela não esconde a alegria em poder comemorar a data com a recuperação em andamento. Ainda não há data para Geovanah deixar o hospital, mas a alta deve ocorrer nos próximos dias. "É uma nova eu. Eu não sei como tô viva. Só tenho que agradecer aos médicos e todos. Quero só chegar na igreja, mesmo que tiver fechada, ajoelhar e agradecer a Deus. Eu não tava com nenhuma esperança. E a gente vai comer uma 'pizzona'", brincou a jovem, apontando para o cabo Rafael. Tensão seguida de 'milagre' A mãe de Geovanah, Ester Correa, não escondeu a angústia de saber do acidente e ficar dias com a filha na UTI. Ela, que está se tornando técnica em enfermagem, achava que a filha não iria sobreviver, após ver a forma em que ela saiu das rochas. [[legacy_image_258431]] "Por ser da enfermagem, eu achei que ela tinha morrido. Foi um desespero tão grande que eu não desejo pra ninguém uma angústia dessa. Só tive a reação de cair no chão e começar a chorar. Foi um milagre mesmo. Deus colocou a mão dele em cada detalhe do resgate", comentou. Ela lembra que estava em São Paulo e foi avisada por WhatsApp pela irmã de Geovanah sobre o ocorrido. Ester veio às pressas para acompanhar a filha em Guarujá. "Eu estava na escola, aí minha filha mais velha manda um WhatsApp. Fiquei maluca. O instinto foi ligar pra saber de fato o que tinha acontecido. Comecei a passar mal, minha professora veio, me deu água. Eu, por entender um pouco, vi aquela situação e falei que minha filha estava morta. Desci (a serra) de moto, em menos de uma hora, tava aqui", recordou.