'A gente precisa quase que pentear o terreno', explica bombeiro sobre buscas em Guarujá

Marcos Palumbo fez uma 'live' nas redes sociais para explicar como é realizado o trabalho nos morros do Macaco Molhado e Barreira do João Guarda

O Corpo de Bombeiros segue, nesta segunda-feira (9), com as buscas pelas pessoas desaparecidas após os deslizamentos ocorridos no início da última semana, em Guarujá. O capitão Marcos Palumbo realizou uma 'live' nas redes sociais para explicar como é feito o trabalho nos morros Macaco Molhado e Barreira João Guarda.

"É um trabalho muito difícil. Ele está de acordo com a própria situação. Imagina se a gente entra com uma retroescavadeira dessa em um morro onde, infelizmente, tem ali 35 pessoas. Como a gente vai fazer? Fazer isso de forma rápida? A gente quer o quê? Acabar com a dignidade das pessoas que estão ali? Tem que ser feito devagar. A gente precisa quase que pentear o terreno. Ou você quer que alguém aqui pegue um lado não humano e acabe ali, por exemplo, atingindo uma retroescavadeira em uma vítima? A gente não quer isso. A gente quer que seja feito com calma. Não tem jeito", explicou Palumbo.

Capitão Marcos Palumbo realizou uma 'live' para explicar como é feito o trabalho no Morro do Macaco Molhado e na Barreira do João Guarda (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

A 'live' registrou os trabalhos sendo realizados no Morro do Macaco Molhado. Segundo o representante da corporação, 25 bombeiros e duas retroescavadeiras trabalham nas buscas pelo último desaparecido do local, o cabo Marciel Batalha, que sumiu após ser atingido por um deslizamento enquanto auxiliava no resgate aos moradores do local.

"Cães sinalizaram em uma parte lá embaixo. Vamos fazer todo o trabalho para localizar nosso herói. Sabemos de toda a dificuldade. Agradecemos nossos amigos pelas mensagens enviadas aos bombeiros. Vamos fazer amanhã [terça-feira] 140 anos. Não era o aniversário que nós queríamos, nunca. Mas, a gente sabe que todo trabalho não vai parar. Só vai parar quando localizarmos, não só o cabo Batalha, mas todas as vítimas que foram assoladas por causa dessa tragédia", disse o capitão.

Marcos Palumbo também explicou o trajeto realizado pelos cabos Marciel Batalha e Rogerio de Moraes Santos, que também foi atingido pelo deslizamento. Ele foi enterrado na última quarta-feira (4). Além deles, o mestre de capoeira Rafael de Oliveira Rodrigues também faleceu enquanto ajudava os bombeiros.

"No momento em que chegou ao local, ele [Batalha] e o cabo Moraes subiram no morro. Chovia muito. Houve o primeiro desabamento nessa casa aqui. Eles fizeram o primeiro salvamento. Pegaram a mãe e o bebê, saíram correndo em direção ao local onde estava o bote. Eles chegaram de bote. Remaram cerca de 1 km até chegar à base, já que a avenida que fica em frente estava com água na altura do peito. Eles voltaram. Neste local, tinha de 40 a 50 pessoas, que moravam em 20 casas. Eles foram batendo nas portas para tirar todo mundo e o pessoal ia saindo. Eles estavam junto com o mestre de capoeira no momento em que ocorreu o segundo desabamento. Lá de cima, veio descendo tudo. Pedra, lama. Veio de uma maneira muito forte, atingindo todas as residências", relatou Palumbo.

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