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Quarta-feira

11 de Dezembro de 2019

Greve geral pode deixar Santos sem ônibus e entrada da cidade bloqueada nesta sexta-feira

Paralisação pode fechar entrada de Santos, avenida da praia e acesso aos morros. Atendimento nos bancos também pode ficar prejudicado

Protestos contra a reforma da Previdência, em defesa da aposentadoria e a favor da educação serão realizados em um ato unificado de greve geral nesta sexta-feira (14). A ação pode fazer com que o transporte público não funcione na Baixada Santista, e que a entrada de Santos fique bloqueada, segundo informações preliminares. Existe, também, a possibilidade de um bloqueio na divisa entre Santos e São Vicente. A expectativa é que as concentrações ocorram a partir das 6h.

A greve reunirá cerca de 34 sindicatos, estudantes, classe trabalhadora, entre outros. Além das manifestações no início da manhã, está marcado um ato, a partir das 17h, com concentração na Estação da Cidadania, em Santos.

O presidente do Sindicato dos Servidores Estatutários Municipais de Santos (Sindest), Fábio Marcelo Pimentel, explica que os trabalhadores não podem ser punidos por aderirem à greve, de acordo com a lei. “Nenhum servidor municipal pode ser punido por participar da greve geral desta sexta-feira. O máximo que pode acontecer é a prefeitura não pagar o dia parado”.

Em assembleia na noite de terça-feira (11), a categoria aprovou a participação no movimento nacional contra a reforma da Previdência Social. O presidente do Sindest reclama da reforma previdenciária e, também, da diminuição dos investimentos públicos em saúde, educação, moradia e projetos sociais.

Em assembleia na noite de terça-feira, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de São Vicente (SindServSV) também aprovou a adesão da categoria à greve. Os servidores começam a paralisação à 0h. “A adesão à greve geral expressa a opinião do conjunto da categoria, posicionamento construído a partir de processo de consulta e diálogo com os servidores”, afirmou Edson Paixão, presidente do sindicato. A entidade também informou que “todos os procedimentos legais e estatutários foram tomados, e a prefeitura devidamente notificada do movimento de paralisação por 24 horas. Ninguém pode ser perseguido nem coagido a não participar da greve”.

Ônibus

A Prefeitura de Santos informou que há uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho determinando que o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Santos e Região assegure a manutenção do transporte público nesta sexta-feira, garantindo atendimento à população da cidade de Santos e região, especialmente nos horários de pico, das 5h às 9h e das 17h às 20h.

A prefeitura também diz que tomará todas as providências para garantir o atendimento do transporte à população. Contudo, o efetivo cumprimento da decisão dependerá da não adesão do sindicato à referida paralisação. Os demais serviços da Prefeitura de Santos estão programados para funcionar normalmente.

A Viação Piracicabana, responsável pelas linhas municipais de Santos e Praia Grande, e a BR Mobilidade, que comanda as linhas intermunicipais e o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), informa que irão operar normalmente nesta sexta-feira.

A City Transporte Urbano Intermodal informa que, diante da possibilidade de paralisação, entrou com medida cautelar junto ao Tribunal Regional do Trabalho solicitando a manutenção do serviço de transporte público municipal de Guarujá, por ser de caráter essencial. O TRT determinou pleno atendimento à população de Guarujá nos horários de grande fluxo de passageiros - das 5h às 9h e 17h às 20h -, sob pena de multa de R$ 100 mil/dia. A ação é contrária ao Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários da Baixada Santista.

Em nota, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU/SP) afirma que obteve liminar que determina a manutenção do serviço com 80% da frota nos horários de pico e 60% fora do horário de pico nas regiões metropolitanas de São Paulo e Baixada Santista. A liminar também determina multa para quem descumprir a decisão. “No momento econômico que vivemos, com mais de 13 milhões de desempregados, esta greve contraria os objetivos de recuperação econômica do país e prejudica a mobilidade de quem vive em São Paulo e precisa se locomover para trabalhar. A Secretaria dos Transportes Metropolitanos considera a greve ideológica e conta com as categorias para que os passageiros que dependem do transporte público não sejam prejudicados”, diz o comunicado.

A Viação Bertioga, concessionária responsável pelo transporte urbano no município, solicitou ao Poder Judiciário uma Ação Cautelar em face do aviso de paralisação feito pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Santos e Região. A liminar foi acatada, e ficou decidido funcionamento mínimo de 80% das linhas nos horários de pico e escolares e 70% nos demais horários das linhas municipais, sob pena de multa diária de R$ 15.000, caso haja descumprimento.

Ainda assim, há chances de que motoristas de ônibus se mobilizem e o serviço seja paralisado.

Bancos

Com a adesão do Sindicato dos Bancários à greve geral, o atendimento em agências bancárias pode ser afetado. A expectativa é de que a população não consiga ter acesso ao atendimento na boca do caixa.

“É hora de unir a população trabalhadora, a juventude, e dialogar também com os pequenos e médios empresários, que também vão sofrer com os impactos na economia com o fim da aposentadoria e a privatização da Previdência Social. O povo brasileiro não pode permitir a aprovação dessa reforma, que atinge toda a população, os trabalhadores da ativa e os aposentados. Isso vai aumentar o desemprego, a paralisia da economia e a crise social”, afirma Ricardo Saraiva, o Big, secretário de Relações Internacionais da Intersindical Central da Classe Trabalhadora e Secretário Geral do Sindicato dos Bancários de Santos e Região.

Porto de Santos

Trabalhadores do Porto de Santos estão entre os integrantes da greve geral, em protesto contra a privatização das estatais. Devem participar o Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro) e Sindicato dos Trabalhadores Administrativos em Capatazia (Sindaport).

Educação

Na noite da última terça-feira (11), estudantes da Unifesp BS, em assembleia na unidade Silva Jardim, aprovaram a adesão à greve geral e ato unificado. Servidores de Santos, São Vicente, Praia Grande e Guarujá, servidores federais da educação e professores da rede municipal de Cubatão participarão da paralisação, dentre outras categorias que também tiveram a adesão aprovada em assembleias estaduais, como é o caso do Judiciário Estadual e Federal, além da Apeoesp.

Esta reportagem está em constante atualização.

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