Esta cena histórica e famosa ficará no passado. Motivo é que vacina injetada protege contra uma variante a mais do vírus da paralisia infantil (Paulo Pinto/Agência Brasil) As gotinhas da vacina contra a poliomielite que fizeram parte da infância de muitos brasileiros, agora, se tornaram uma injeção. Mesmo quem tem medo de agulha vai entender o porquê da mudança: a dose trivalente protege das três variações do vírus que pode causar a paralisia infantil. A versão em gota protegia contra duas. E há menos menos efeitos colaterais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É o que explica o enfermeiro Willian Fioratti, chefe da Vigilância Epidemiológica de Santos, onde a nova vacina está disponível desde o início da semana. Na Cidade, a taxa de cobertura vacinal contra a pólio está em 82,1%, enquanto o ideal, segundo o Ministério de Saúde, é adesão de 95%. “Não é só uma meta: é um estudo epidemiológico que indica que, se 95% da população não se vacinar, há risco de a doença voltar”, alerta Fioratti. Por causa da menor adesão à vacina contra a pólio nos últimos anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o risco da volta da doença no Brasil como “altíssimo” — o vírus foi considerado erradicado do País em 1994. Caso o pior aconteça, a probabilidade de a Baixada Santista ser afetada por um surto é alta. “Santos é uma cidade portuária. Então, a gente tem que ter uma preocupação redobrada”, diz Fioratti, salientando que há “uma vigilância muito intensa em cima da poliomielite”, com monitoramento de sintomas feito de forma semanal na Cidade. Proteção tripla A vacina contra a poliomielite surgiu em um momento no qual o mundo passava por uma epidemia da doença. Na época, as principais cepas do vírus causador da doença em circulação eram dos tipos 1 e 3. Por isso, o imunizante foi confeccionado para essas variações. Para produzi-lo, os cientistas usaram o vírus enfraquecido a ponto de não provocar a doença, mas forte o suficiente para estimular o organismo a se imunizar. Para garantir a proteção, as crianças recebem doses injetáveis do imunizante com 2, 4 e 6 meses de idade. As gotinhas eram ministradas aos 15 meses e aos 4 anos, como forma de reforçar a imunização. Agora, elas são substituídas pela vacina trivalente. A nova dose também deve ser ministrada aos 15 meses. Portanto, os maiores de 1 ano e três meses e menores de 5 anos que já tomaram a primeira gotinha devem retornar aos postos para receber a versão injetável e concluir o esquema vacinal contra a doença. Zé Gotinha, porém, continuará na função para a qual foi criado, em 1986: conscientizar sobre vacinação (José Cruz/Agência Brasil) ‘Picadinha’ A versão em gota é indolor, mas a injetável, além de oferecer mais proteção, tem menos efeitos colaterais porque foi feita com vírus inativados. Portanto, o desconforto passageiro compensa, diz Willian Fioratti. “O que ela causa é o que todas as vacinas causam: um pouco de dor, um incômodo no local, às vezes um pouco de vermelhidão, mas nada além.” Mas não é preciso se despedir de Zé Gotinha. O personagem, criado pelo artista plástico Darlan Rosa em 1986, permanece como símbolo da campanha de vacinação no Brasil para conscientizar sobre a importância de ir aos postos de imunização. Zé Gotinha mesmo já foi utilizado pelo Ministério da Saúde para explicar a mudança da vacina contra a poliomielite.