Fórum de Santos: TJ-SP cria método de verificação para acessar os processos, dificultando ação dos golpistas (Vanessa Rodrigues/AT) O golpe do falso advogado tem se tornado comum e feito mais vítimas no litoral de São Paulo. Os golpistas já não se contentam com ligações ou mensagens de texto. Agora, investem em chamadas de vídeo e conquistam a confiança das vítimas com documentos oficiais. Eles se passam pelos advogados, até mesmo com a clonagem de seus telefones. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Essa modalidade de golpe tem crescido tanto que a OAB-SP lançou uma cartilha de orientação no ano passado. “Qualquer pessoa que tenha um processo na Justiça quer uma solução rápida. E fica vulnerável diante de alguém que sabe certos dados dos processos judiciais, que são públicos”, explica o presidente da OAB Santos, Raphael Meirelles, que teve clientes lesados. Segundo Meirelles, o golpe começa com os estelionatários entrando em contato com as possíveis vítimas por WhatsApp, passando-se pelo advogado ou pelo escritório à frente da causa. Um ponto capital é que os bandidos têm acesso ao processo – por isso, procuram pessoas cujas causas já estejam em fase final. Ao ser informada sobre o andamento dos processos, e até ao receber cópias destes, as pessoas tendem a acreditar na veracidade do contato. “No final, pedem o pagamento dos honorários ou até mesmo emitem uma guia falsa, fazendo a pessoa acreditar que se trata de custas”. Videochamada Nas últimas semanas, chegou ao seu conhecimento que os golpistas têm feito até chamadas de vídeo para embasar o golpe. Porém, Meirelles alerta: os criminosos não abrem a câmara, apenas se dizem do escritório. Uma dica para evitar golpes é confirmar o contato com o telefone fixo do advogado e verificar se os dados fornecidos estão corretos, antes de tomar qualquer atitude. Já para os advogados que são vítimas, tendo telefones clonados, por exemplo, a OAB Santos está emitindo declarações para salvaguardá-los. “Para que possam eventualmente se precaver de processos éticos”, explica Meirelles. Novo acesso Como os processos são públicos, basta um simples cadastro no site do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para que o golpista tenha acesso às informações. Segundo Meirelles, com um novo sistema de segurança, que está sendo implementado, agora é necessário receber um código de verificação do tribunal, enviado ao e-mail do usuário, para que o acesso seja liberado. “Com isso, o Tribunal busca fortalecer a segurança dos processos, permitindo rastrear quem acessa e com qual finalidade. Mas, anteriormente, esse tipo de controle não existia”.