[[legacy_image_47764]] O setor da construção civil enxerga o mercado imobiliário aquecido e vive a expectativa de cada vez mais projetos e lançamentos de empreendimentos. Entretanto, um alerta se faz presente: o preço final dos imóveis pode ficar mais alto com a alta dos insumos usados na edificação. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O cenário positivo é estimulado pelas vendas dos estoques e a demanda por moradias, principalmente aquelas que atendam as expectativas de uma nova realidade — apartamentos maiores, confortáveis e com espaço para trabalhar a distância em home office. “Os estoques (de imóveis) de três a cinco anos foram consumidos antes da pandemia. Isso motivou o empreendedor a ir à rua. A indústria da construção não parou. Continuou num ritmo mais lento, com os protocolos de segurança”, diz o presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Ricardo Beschizza. Segundo fontes do setor, o lado b desse horizonte promissor, sobretudo para o Litoral Paulista — pela qualidade de vida —, está na alta dos preços dos imóveis, incertezas da pandemia e instabilidade política, que mexem com o mercado. “Começamos a produzir, pois teve demanda, muito por causa do home office. Não sabemos se vai se sedimentar ou será nicho de mercado (a busca por apartamentos com escritórios). Agora, (o ritmo) deu uma diminuída por causa da segunda onda (da doença) e de incertezas”, aponta Beschizza. Projetos Um sinal de que o setor quer investir está no volume de projetos imobiliários que estão na Prefeitura de Santos. Entre janeiro e abril do ano passado, eram 30 projetos, dos quais cinco haviam sido aprovados e 25 estavam em tramitação — casos de coronavírus começaram a surgir no Brasil em março de 2020. De janeiro a abril últimos, são 32 os projetos na Prefeitura. Destes, quatro já tiveram aval para a construção, enquanto 28 permanecem sob análise. Na gaveta Os projetos têm prazo de validade para o começo da execução das obras. De acordo com o Código de Edificações de Santos (Lei Complementar 1.025, de 2019), esses limites variam de um a dois anos. Esse prazo leva em conta as autorizações solicitadas — alvará de aprovação ou licença para edificação — e o tamanho da área em que o edifício será erguido. “Está muito bom para construir” Empresários da construção estão otimistas com as tendências do setor. “O mercado está muito aquecido e muito bom para construir”, diz o diretor da Engeplus Construtora, Roberto Barroso Filho. “Com a diminuição dos estoques, as construtoras já estão com novos lançamentos e novos projetos”, comenta o diretor da Enzafer Empreendimentos Imobiliários, Gustavo Zagatto Fernandez. Esse movimento foi induzido pela pandemia, pois, segundo fontes, os potenciais compradores buscam apartamentos mais confortáveis e, sobretudo, aproveitam juros mais baixos. “Trabalho na construção há 35 anos e nunca vi valores tão baixos. Hoje, você consegue contratar financiamento, mesmo com esse aumento da Selic, (com taxa de juros do empréstimo) entre 6% e 7% ao ano, que é muito baixo. Antigamente, era de 12% ou 15%. É um absurdo essa diferença”, diz Barroso. O diretor da Engeplus ressalta que, com a instabilidade da bolsa de valores, os riscos dos investimentos em bitcoins e o baixo rendimento das aplicações financeiras, um caminho para aplicar o dinheiro foi em imóveis. “O financiamento fez com que aumentasse muito a demanda por imóveis.” De acordo com o diretor da Enzafer, as prioridades dos compradores mudaram, pois deixaram de gastar com alimentação, viagens e roupas e foram obrigados a passar mais tempo em casa. “Passaram a focar mais recursos nisso, na troca por imóvel maior, mais novo ou mais bem localizado. Isso, aliado à queda dos juros, fez o mercado imobiliário ficar mais aquecido.” No caso da procura por imóveis na Baixada Santista, ela pode ser explicada pela busca por qualidade de vida. “Isso é uma realidade. A gente vendia de 15% a 20% de imóveis a (moradores de) São Paulo e, após a pandemia, passamos a vender 50%”, revela Barroso. Fernandez ressalta, ainda, que espaços de convívio e trabalho, como sacadas gourmet e home offices estão no topo da lista do que é pretendido. “Da mesma forma, também passaram a valorizar mais as áreas comuns dos edifícios. (...) Existe uma tendência de imóveis maiores.”